Risco Relativo (RR): Cálculo e Aplicação em Coortes

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Em uma população de quinhentos indivíduos, duzentos tabagistas e trezentos não tabagistas, seguidos por vinte anos, foram observados os seguintes resultados: trinta indivíduos tabagistas desenvolveram neoplasia de pulmão e vinte indivíduos não tabagistas também desenvolveram a doença. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o valor da medida de associação mais apropriada para o estudo.

Alternativas

  1. A) I = 0,06
  2. B) RR = 2,25
  3. C) OR = 2,25
  4. D) OR = 0,01
  5. E) P = 0,1

Pérola Clínica

Estudo de coorte (seguimento) → Calcular Risco Relativo (RR).

Resumo-Chave

Em estudos de coorte, onde grupos são seguidos ao longo do tempo para observar o desenvolvimento de um desfecho, o Risco Relativo (RR) é a medida de associação mais apropriada. Ele compara a incidência do desfecho entre os expostos e os não expostos.

Contexto Educacional

As medidas de associação são ferramentas estatísticas fundamentais em epidemiologia para quantificar a força da relação entre uma exposição (fator de risco) e um desfecho (doença). A escolha da medida mais apropriada depende do desenho do estudo. Em estudos de coorte, como o descrito, onde grupos de indivíduos expostos e não expostos são acompanhados ao longo do tempo para observar o desenvolvimento do desfecho, o Risco Relativo (RR) é a medida de associação de eleição. O Risco Relativo (RR) compara a incidência do desfecho no grupo exposto com a incidência no grupo não exposto. Um RR maior que 1 indica que a exposição é um fator de risco, enquanto um RR menor que 1 sugere um fator de proteção. No caso apresentado, a incidência de neoplasia de pulmão em tabagistas é de 30/200 = 0,15, e em não tabagistas é de 20/300 ≈ 0,0667. Assim, o RR = 0,15 / 0,0667 ≈ 2,25, indicando que tabagistas têm um risco 2,25 vezes maior de desenvolver neoplasia de pulmão. Para residentes, é crucial compreender a distinção entre RR e Razão de Chances (OR). Enquanto o RR é diretamente interpretável como um risco, o OR é uma estimativa da razão de chances e é mais utilizado em estudos caso-controle, onde a incidência não pode ser calculada. Dominar essas medidas é essencial para a interpretação crítica da literatura científica e para a aplicação de conceitos epidemiológicos na prática clínica e na saúde pública.

Perguntas Frequentes

Quando o Risco Relativo (RR) é a medida de associação mais apropriada?

O Risco Relativo (RR) é a medida mais apropriada em estudos de coorte e ensaios clínicos, onde é possível calcular a incidência da doença tanto no grupo exposto quanto no não exposto, pois esses estudos acompanham os indivíduos ao longo do tempo.

Como calcular o Risco Relativo (RR) neste caso?

O RR é calculado dividindo a incidência nos expostos pela incidência nos não expostos. Incidência em tabagistas = 30/200 = 0,15. Incidência em não tabagistas = 20/300 = 0,0667. RR = 0,15 / 0,0667 ≈ 2,25.

Qual a diferença entre Risco Relativo (RR) e Razão de Chances (OR)?

O RR mede a razão entre as incidências e é usado em estudos prospectivos. O OR mede a razão entre as chances de exposição em casos e controles e é usado em estudos caso-controle, onde a incidência não pode ser calculada diretamente.

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