HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
No ano de 2020, em um município no interior de São Paulo, com 100.000 habitantes, foram notificados 2.000 óbitos. Dentre estes, 50 foram por infarto agudo do miocárdio (IAM) e 30 por acidente vascular encefálico (AVE). No mesmo ano, foram notificados 500 casos de IAM e 300 de AVE. Entre os casos notificados de IAM, 200 eram hipertensos e destes 30 evoluíram para óbito. Entre os casos de AVE, 150 eram hipertensos e 20 evoluíram para óbito. Em relação aos hipertensos deste município é correto afirmar:
Risco Relativo (RR) = Incidência nos expostos / Incidência nos não expostos.
O Risco Relativo compara a probabilidade de um evento ocorrer em um grupo exposto a um fator de risco versus um grupo não exposto, sendo a medida de escolha para estudos prospectivos.
A bioestatística é um pilar fundamental da medicina baseada em evidências, permitindo que médicos interpretem dados populacionais para aplicar na prática clínica individual. O Risco Relativo (RR) é uma medida de associação que quantifica quão forte é a relação entre um fator de risco e uma doença. Ele é calculado dividindo-se a incidência do desfecho no grupo exposto pela incidência no grupo não exposto. Nesta questão, o foco é a análise de subgrupos dentro de uma população notificada. É essencial que o residente saiba extrair os denominadores corretos do enunciado: para o RR de óbito entre doentes, o denominador não é a população total da cidade, mas sim o número de casos da doença. A compreensão desses cálculos é vital não apenas para provas de residência, mas para a leitura crítica de ensaios clínicos e estudos epidemiológicos que guiam protocolos de tratamento.
Para calcular o Risco Relativo (RR) de óbito por IAM entre hipertensos, primeiro calculamos a incidência de óbito no grupo exposto (hipertensos) e no grupo não exposto. Entre os 200 hipertensos com IAM, 30 morreram (Incidência = 30/200 = 0,15). No grupo não exposto (não hipertensos com IAM), temos 500 casos totais de IAM menos 200 hipertensos, resultando em 300 não hipertensos. O total de óbitos por IAM foi 50, sendo 30 em hipertensos, logo 20 óbitos ocorreram em não hipertensos (Incidência = 20/300 = 0,066). O RR é a razão entre as incidências: 0,15 / 0,066 = 2,27 (aproximadamente 2,14 dependendo do arredondamento das casas decimais).
A Letalidade mede a gravidade de uma doença, calculada pelo número de óbitos por uma causa específica dividido pelo número de pessoas que têm aquela doença (Ex: óbitos por AVE / casos de AVE). Já a Mortalidade mede o risco de morrer na população geral, calculada pelo número de óbitos dividido pela população total em risco. No exemplo do AVE, a letalidade seria 30 óbitos / 300 casos = 0,10 (ou 10%), enquanto a mortalidade por AVE seria 30 óbitos / 100.000 habitantes.
Um Risco Relativo (RR) maior que 1 indica que a exposição ao fator de risco (neste caso, hipertensão) está associada a uma maior probabilidade de ocorrência do desfecho (óbito por IAM). Se o RR fosse igual a 1, não haveria associação entre a exposição e o desfecho. Se fosse menor que 1, a exposição seria considerada um fator de proteção. No contexto clínico, um RR de 2,14 significa que os hipertensos têm mais que o dobro de risco de evoluir para óbito por IAM em comparação aos não hipertensos.
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