Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Pesquisa longitudinal com amostra representativa dos nascimentos em uma cidade brasileira identificou que filhos de mães adolescentes apresentaram um maior risco de morte perinatal do que crianças de mães com 20 a 30 anos de idade. No entanto, quando se estudou a influência da idade materna controlando os efeitos da renda e da assistência pré-natal por regressão logística, observou-se que as adolescentes apresentavam o menor risco de todas as categorias de idade. Com relação à questão, a medida mais adequada para dimensionar o risco observado nesse estudo deveria ser:
Risco Relativo (RR) + IC95% = Medida de associação padrão para estudos longitudinais/coorte.
O Risco Relativo quantifica a força da associação entre exposição e desfecho em estudos de coorte, enquanto o Intervalo de Confiança avalia a precisão e a significância estatística dessa medida.
Na epidemiologia, a escolha da medida de associação depende do desenho do estudo. Em estudos de coorte e ensaios clínicos, o Risco Relativo (RR) é a medida preferencial. Em estudos de caso-controle, utiliza-se o Odds Ratio (OR). A questão destaca um fenômeno comum: a confusão epidemiológica. Inicialmente, a gravidez na adolescência parecia um fator de risco para morte perinatal (análise bruta), mas a análise ajustada mostrou que o risco estava ligado à baixa renda e falta de pré-natal, e não à biologia da adolescente. A interpretação correta de dados estatísticos é fundamental para a medicina baseada em evidências. O Risco Atribuível, mencionado em alternativas, mede o excesso de risco em termos absolutos na população exposta, sendo útil para saúde pública, mas não para dimensionar a força da associação individual como o RR faz.
O Risco Relativo (RR) é a razão entre a incidência do desfecho no grupo exposto e a incidência no grupo não exposto. Em estudos longitudinais (coorte), onde acompanhamos os participantes ao longo do tempo, podemos calcular diretamente a incidência. O RR permite quantificar quantas vezes o risco é maior ou menor em um grupo comparado ao outro. No cenário da questão, após controlar confundidores (renda e pré-natal) via regressão logística, o RR ajustado revelou que a idade materna jovem, por si só, não era o fator de risco real, mas sim as variáveis socioeconômicas associadas.
O Intervalo de Confiança (geralmente de 95%) fornece a precisão da estimativa do Risco Relativo. Ele indica que, se repetíssemos o estudo 100 vezes, em 95 delas o valor real do risco estaria dentro daquele intervalo. Além disso, o IC serve para testar a significância estatística: se o intervalo incluir o valor 1.0 (valor de nulidade), a associação não é considerada estatisticamente significante. Se o limite superior for menor que 1.0, o fator é protetor; se o limite inferior for maior que 1.0, o fator é de risco.
A regressão logística é uma técnica estatística multivariada usada para modelar a probabilidade de um desfecho binário (ex: morte perinatal sim/não) em função de várias variáveis independentes. Ela permite isolar o efeito de uma variável específica (idade materna) enquanto mantém constantes as outras variáveis (renda, assistência pré-natal). Isso é crucial para identificar 'fatores de confundimento' — variáveis que estão associadas tanto à exposição quanto ao desfecho e que podem distorcer a associação real.
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