INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Considere uma comunidade rural, onde um número aparentemente elevado de neonatos com má formação congênita é atribuído pelas mães agricultoras aos agrotóxicos utilizados na lavoura. Ao realizar um estudo de coorte retrospectivo dos nascimentos ocorridos na cidade nos últimos três anos, foi encontrado um risco relativo igual a 1,5, com um intervalo de confiança de 95%, entre 1,02 e 2,57. Qual a interpretação desse estudo?
RR = 1,5 → Risco 50% maior no grupo exposto em relação ao não exposto.
O Risco Relativo de 1,5 indica que a incidência do desfecho é 1,5 vezes maior no grupo exposto, o que equivale a um excesso de risco de 50%.
A interpretação correta de medidas de associação é crucial para a medicina baseada em evidências. O Risco Relativo (RR) é a razão entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos, sendo a medida de escolha em estudos de coorte. Neste cenário epidemiológico, o RR de 1,5 com IC 95% [1,02 - 2,57] fornece evidência estatística de que a exposição a agrotóxicos está associada a um aumento de 50% no risco de malformações congênitas. O fato de o limite inferior do IC ser muito próximo de 1,0 sugere que, embora significativo, a força da associação pode ser modesta ou a amostra pode ter limitações de poder estatístico, exigindo cautela e possivelmente estudos complementares para confirmar a causalidade.
Um RR de 1,5 significa que a probabilidade de o desfecho ocorrer no grupo exposto é 1,5 vezes a probabilidade no grupo não exposto. Em termos percentuais, isso representa um aumento de 50% no risco (RR - 1 x 100). Se o RR fosse 2,0, o risco seria o dobro (100% maior); se fosse 0,7, o risco seria 30% menor (efeito protetor).
O IC 95% indica a precisão da estimativa do RR. Como o intervalo (1,02 a 2,57) não inclui o valor 1,0 (valor de nulidade), o resultado é considerado estatisticamente significativo com p < 0,05. Isso significa que há 95% de confiança de que o verdadeiro valor do risco relativo na população está entre 1,02 e 2,57, confirmando uma associação positiva entre a exposição e o desfecho.
Na coorte retrospectiva, partimos da exposição no passado e seguimos o grupo até o presente para verificar o desfecho, utilizando registros existentes. No caso-controle, partimos do desfecho (quem já tem a doença) e olhamos para trás para verificar a exposição. A coorte permite calcular a incidência e o Risco Relativo diretamente, enquanto o caso-controle utiliza o Odds Ratio (Razão de Chances).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo