ENARE/ENAMED — Prova 2021
Uma mulher de 83 anos, hipertensa, sem outras comorbidades, comparece à unidade de saúde para verificação da pressão arterial de rotina. Está assintomática no momento. Utiliza apenas um comprimido de losartana 50 mg. No momento do exame, sua pressão arterial é de 90x60 mmHg. A paciente refere que eventualmente tem sentido tonturas, porém nega outras manifestações. Tendo em vista suas características e o histórico apresentado, qual dos seguintes agravos representa um maior risco à saúde dessa paciente nesse contexto?
Idoso > 80 anos + hipotensão + tontura → alto risco de queda.
Em idosos, a hipotensão, mesmo assintomática na maior parte do tempo, e a queixa de tonturas são fatores de risco significativos para quedas. As quedas são uma das principais causas de morbimortalidade nessa população, levando a fraturas, hospitalizações e perda de independência.
As quedas representam um grave problema de saúde pública na população idosa, sendo a principal causa de lesões não fatais e a causa mais comum de hospitalização por trauma em indivíduos com mais de 65 anos. A paciente do caso, com 83 anos, hipotensão e queixas de tontura, mesmo que eventuais, se encaixa perfeitamente no perfil de alto risco para quedas. A morbimortalidade associada às quedas é considerável, incluindo fraturas (especialmente de fêmur), traumatismos cranianos, medo de cair e consequente restrição de atividades, levando à perda de autonomia e qualidade de vida. A fisiopatologia do risco de quedas em idosos é multifatorial. A hipotensão, seja basal ou ortostática, pode ser exacerbada por medicamentos anti-hipertensivos como a losartana, causando hipoperfusão cerebral transitória e tontura. Além disso, o envelhecimento natural leva à sarcopenia (perda de massa muscular), diminuição da acuidade visual e auditiva, e alterações no equilíbrio e na marcha, que contribuem para a instabilidade. A polifarmácia, comum em idosos, aumenta o risco de interações medicamentosas e efeitos adversos que podem predispor a quedas. Para residentes, é crucial realizar uma avaliação geriátrica abrangente que inclua a triagem para risco de quedas. Isso envolve a revisão da medicação, avaliação da pressão arterial em diferentes posições, testes de equilíbrio e marcha, e investigação de tonturas. A intervenção deve ser individualizada, com ajuste da terapia anti-hipertensiva, encaminhamento para fisioterapia, otimização do ambiente domiciliar e educação do paciente e familiares sobre as medidas preventivas. O objetivo é minimizar o risco de quedas e preservar a funcionalidade e independência do idoso.
Fatores de risco incluem idade avançada, histórico de quedas, fraqueza muscular, distúrbios de equilíbrio e marcha, uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia), hipotensão ortostática, deficiência visual e auditiva, e condições crônicas como diabetes e doenças neurológicas.
A hipotensão, especialmente a ortostática, pode causar tontura, vertigem e síncope ao levantar-se, levando à perda de equilíbrio e quedas. Em idosos, a regulação da pressão arterial é menos eficiente, e medicamentos como a losartana podem exacerbar esse efeito.
A prevenção envolve revisão da medicação (ajuste de doses ou desprescrição), exercícios para força e equilíbrio, avaliação e correção de problemas visuais, adaptações no ambiente doméstico (iluminação, barras de apoio), e uso de calçados adequados.
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