UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Homem de 66 anos procura, muito nervoso, atendimento médico devido à dor precordial em aperto quando sobe escada rapidamente, que melhora quando retorna ao repouso. Nega diabetes, hipertensão, dislipidemia e tabagismo. O médico realiza um ECG, que está normal e avalia a tabela de risco de Framingham, que mostra risco abaixo de 5%. Em vista disso, conclui que ele não tem angina de peito, mas para tranquilizá-lo, solicita um teste ergométrico (TE) e um ECO. O ECO está normal em repouso, a não ser pela diminuição do relaxamento. E o TE com referência de má adaptação ao aparelho e baixa capacidade física, não tendo alcançado a frequência cardíaca submáxima, mas sem sintomas ou alteração isquêmica no eletrocardiograma. Com esses resultados, o médico informa que, provavelmente, o paciente está com sintomas de ansiedade. Em relação à conduta diagnóstica e aos resultados apresentados, é correto afirmar que:
Dor torácica anginosa + idade avançada → alto risco pré-teste DAC, mesmo sem FR clássicos. TE não conclusivo = falso negativo provável.
A dor precordial do paciente é altamente sugestiva de angina estável, e sua idade (66 anos) confere um risco pré-teste significativo para doença arterial coronariana (DAC), mesmo na ausência de fatores de risco clássicos. Um ECG normal em repouso não exclui isquemia. O teste ergométrico que não atinge a frequência cardíaca submáxima é não diagnóstico e, neste contexto, é provável que seja um falso negativo, subestimando a presença de DAC. A tabela de Framingham avalia risco cardiovascular global, não o risco pré-teste de DAC em paciente sintomático.
A dor torácica é uma queixa comum no pronto-socorro e no consultório, e sua avaliação é fundamental para identificar condições potencialmente fatais, como a doença arterial coronariana (DAC). A angina estável é caracterizada por dor precordial em aperto, desencadeada por esforço e aliviada pelo repouso ou nitratos. Em pacientes idosos, a probabilidade pré-teste de DAC é maior, mesmo na ausência de fatores de risco tradicionais, e a apresentação pode ser atípica. O diagnóstico da DAC envolve a avaliação clínica, fatores de risco e exames complementares. O ECG em repouso pode ser normal em pacientes com DAC estável. A tabela de Framingham é útil para estimar o risco cardiovascular global em 10 anos, mas não deve ser usada isoladamente para afastar DAC em pacientes sintomáticos. O ecocardiograma em repouso avalia a função ventricular e a presença de alterações estruturais, mas não é o exame de escolha para detectar isquemia em repouso. O teste ergométrico é um exame de estresse amplamente utilizado, mas sua interpretação requer cautela. Um teste ergométrico que não atinge a frequência cardíaca submáxima é considerado não diagnóstico e pode ser um falso negativo, especialmente em pacientes com alta probabilidade pré-teste de DAC. Nesses casos, exames de imagem de estresse (ecocardiograma de estresse, cintilografia miocárdica) ou angiotomografia coronariana podem ser necessários para uma avaliação mais precisa e para afastar a doença isquêmica, evitando o subdiagnóstico e o atraso no tratamento adequado.
O risco pré-teste é avaliado pela idade, sexo e características da dor torácica (típica, atípica ou não anginosa). Pacientes mais velhos, do sexo masculino e com dor anginosa típica têm maior probabilidade de DAC, mesmo sem fatores de risco clássicos. Ferramentas como escores de Diamond-Forrester podem auxiliar.
Não, um eletrocardiograma (ECG) normal em repouso não exclui doença arterial coronariana (DAC), especialmente em pacientes com angina estável. As alterações isquêmicas podem ser intermitentes e só aparecerem durante o estresse ou a dor.
Atingir a frequência cardíaca submáxima (85% da FC máxima prevista para a idade) é crucial para a validade diagnóstica do teste ergométrico. Se o paciente não atinge essa meta, o teste é considerado não diagnóstico e pode resultar em um falso negativo, especialmente em indivíduos com alta probabilidade pré-teste de DAC.
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