ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um paciente de 55 anos, em pré-operatório de retossigmoidectomia, com diagnóstico de adenocarcinoma de junção retossigmoide, relata perda de 7 kg nos últimos 3 meses (peso habitual 85 kg), referindo também perda de apetite nas últimas duas semanas. A ferritina sérica é de 280 ng/dL e a albumina sérica é de 4,2 g/dL. A terapia nutricional ideal para esse paciente é:
Perda ponderal >5% + câncer GI → Imunonutrição oral 5-7 dias pré-op.
Pacientes com câncer gastrointestinal e perda de peso significativa devem receber suporte nutricional pré-operatório, preferencialmente via oral com fórmulas imunomoduladoras.
O manejo nutricional perioperatório evoluiu com os protocolos de aceleração da recuperação pós-operatória (ERAS/ACERTO). Em pacientes com câncer do trato digestivo, a desnutrição é prevalente e impacta diretamente na cicatrização de anastomoses e na resposta imunológica. A indicação de suplementação oral por 5-7 dias antes da retossigmoidectomia visa otimizar o balanço nitrogenado. A imunonutrição atua modulando a resposta inflamatória sistêmica ao trauma cirúrgico. Mesmo que o paciente consiga comer, a suplementação garante o aporte necessário de micronutrientes e substratos imunomoduladores que a dieta comum muitas vezes não supre em quantidade suficiente no cenário oncológico.
O risco nutricional é definido pela perda de peso involuntária superior a 5% em 3 meses (neste caso, o paciente perdeu 8,2%), associada à redução da ingestão alimentar relatada nas últimas semanas e à presença de uma doença de base grave (câncer colorretal). A albumina sérica de 4,2 g/dL, embora normal, não descarta a desnutrição proteico-calórica aguda em curso.
A imunonutrição (contendo arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos) administrada por 5 a 7 dias antes da cirurgia reduz significativamente as taxas de complicações infecciosas pós-operatórias e o tempo de permanência hospitalar em pacientes submetidos a grandes cirurgias oncológicas gastrointestinais, independentemente do estado nutricional basal, mas com benefício maior nos desnutridos.
A via oral/enteral deve ser sempre a primeira escolha ('se o intestino funciona, use-o'). Ela mantém a integridade da barreira mucosa intestinal, reduz a translocação bacteriana e apresenta menos complicações metabólicas e infecciosas do que a nutrição parenteral total (NPT). A NPT é reservada apenas para casos onde o trato gastrointestinal é inviável.
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