UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menina, 4 anos de idade, recebeu aleitamento materno exclusivo até os 4 meses e depois fórmula infantil. Foi introduzida alimentação complementar aos 6 meses. Apresentou crescimento e desenvolvimento adequados até os dois anos de idade com posterior aceleração do ganho de peso. No recordatório alimentar de 24 horas, o valor energético total é de 140% do valor recomendado para idade e sexo. Exame físico: peso = 20,5 Kg, estatura = 102 cm, circunferência abdominal = 64 cm; escore Z P/I = 1,68, escore Z E/I = -0,33, escore Z IMC/I = 2,72. Com relação ao estado nutricional desta criança, assinale a alternativa correta:
Relação Circunferência Abdominal/Estatura > 0,5 → Preditor precoce de risco metabólico na infância.
Embora o IMC seja o padrão para diagnóstico de obesidade, a gordura visceral (medida pela circunferência abdominal) é o melhor marcador de risco cardiovascular e metabólico em pediatria.
A obesidade infantil é uma epidemia global com repercussões graves na vida adulta. O diagnóstico precoce baseia-se em curvas de crescimento da OMS, utilizando o Escore Z para padronizar a avaliação. É vital distinguir entre sobrepeso e obesidade para direcionar a intensidade da intervenção. Além do peso, a distribuição da gordura corporal é um determinante crítico da saúde. A gordura abdominal é metabolicamente ativa e associada a um estado inflamatório subclínico. Portanto, a medição da circunferência abdominal deve ser incorporada à rotina de exame físico pediátrico, servindo como um alerta para intervenções dietéticas e de estilo de vida antes que doenças como o Diabetes Tipo 2 se manifestem.
Para crianças entre 2 e 5 anos, segundo a OMS: Escore Z entre +1 e +2 indica risco de sobrepeso; entre +2 e +3 indica sobrepeso; e acima de +3 indica obesidade. No caso da questão, um Escore Z de 2,72 classifica a criança como tendo sobrepeso, e não obesidade (que exigiria Z > 3 nesta faixa etária específica).
A relação circunferência abdominal/estatura (RCAE) é um indicador de adiposidade central. Valores superiores a 0,5 estão fortemente associados a fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, dislipidemia e resistência à insulina, independentemente da idade ou sexo. É uma ferramenta simples e eficaz para triagem de risco metabólico na prática clínica.
O risco metabólico é definido pela presença de marcadores que sugerem disfunção metabólica futura. Além do IMC elevado, a presença de gordura visceral aumentada (circunferência abdominal elevada para a estatura) e um consumo calórico excessivo (como os 140% relatados) sinalizam um balanço energético positivo crônico que predispõe a complicações metabólicas precoces.
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