Hiperestimulação Uterina: Risco de Rotura e Manejo

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Parturiente de 38 semanas, secundigesta com 1 cesária anterior, apresenta 2 contrações em 10 minutos, colo medianizado, bolsa rota há 2 horas e 5 cm de dilatação há 1 hora. A equipe decide introduzir ocitocina endovenosa em dose baixa. Após uma hora, a paciente refere dor intensa, 5 contrações longas em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 160 por minuto, dilatação de 7 cm e distensão da região segmentar do útero, que apresenta forma de ampulheta. Neste momento, está indicado interromper imediatamente a ocitocina

Alternativas

  1. A) e realizar cesária por rotura uterina instalada.
  2. B) pelo risco iminente de rotura uterina.
  3. C) e indicar analgesia de parto para corrigir a distocia funcional.
  4. D) e realizar cesária por desproporção cefalopélvica.

Pérola Clínica

Dor intensa + >5 contrações/10min + útero em ampulheta + cicatriz uterina → risco iminente de rotura uterina.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de hiperestimulação uterina e risco iminente de rotura uterina, especialmente com a história de cesariana anterior. A distensão do segmento inferior do útero e a forma de ampulheta são sinais de Bandl, indicando que o útero está tentando expulsar o feto contra uma obstrução ou resistência, levando a um estiramento excessivo da cicatriz uterina. A interrupção imediata da ocitocina é crucial para prevenir a rotura.

Contexto Educacional

A hiperestimulação uterina, definida como mais de cinco contrações em 10 minutos ou contrações com duração excessiva, é uma complicação potencialmente grave da indução ou condução do trabalho de parto com ocitocina. Em pacientes com cicatriz uterina prévia, como as que tiveram cesariana anterior, o risco de rotura uterina é significativamente aumentado. A identificação precoce dos sinais de risco iminente é crucial para prevenir desfechos maternos e fetais adversos. Os sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e desproporcional à dilatação, taquissistolia uterina, e achados ao exame físico como a distensão e sensibilidade do segmento inferior do útero, que pode formar um 'anel de Bandl' (útero em ampulheta). Embora os batimentos cardíacos fetais possam estar inicialmente normais, a persistência da hiperestimulação pode levar a sofrimento fetal. A conduta imediata diante da suspeita de risco iminente de rotura uterina é a interrupção da ocitocina e a preparação para uma cesariana de emergência. A diferenciação entre risco iminente e rotura instalada é vital: no primeiro, a intervenção pode prevenir a rotura completa, enquanto no segundo, a rotura já ocorreu, exigindo ação imediata para salvar a vida da mãe e do feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de risco iminente de rotura uterina em uma parturiente?

Os sinais incluem dor abdominal intensa e persistente, taquissistolia uterina (>5 contrações em 10 minutos), distensão e sensibilidade do segmento inferior do útero (anel de Bandl), e, por vezes, alterações nos batimentos cardíacos fetais.

Por que a ocitocina aumenta o risco de rotura uterina em pacientes com cesariana prévia?

A ocitocina intensifica as contrações uterinas, aumentando a pressão sobre a cicatriz uterina prévia, que é uma área de menor resistência. Isso pode levar ao estiramento excessivo e à deiscência ou rotura da cicatriz.

Qual a conduta imediata ao suspeitar de risco iminente de rotura uterina?

A conduta imediata é interromper a infusão de ocitocina, posicionar a paciente em decúbito lateral, administrar tocolíticos se necessário para reduzir as contrações, e preparar para uma cesariana de emergência.

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