UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021
Para verificar a eficácia de uma nova vacina contra COVID-19, foram selecionados 2 mil adultos. Eles foram aleatorizados para serem alocados em dois grupos, cada um com 1 mil participantes. Ao final da investigação, foram confirmados 10 casos da doença no grupo que recebeu a nova vacina e 50 no grupo que recebeu injeções de solução inofensiva (dados fictícios). Ainda sobre o estudo apresentado no caso clínico, assinale a alternativa que apresenta o valor CORRETO do risco de COVID-19, no grupo de vacinados e no grupo de não-vacinados, respectivamente:
Risco = Casos novos / População sob risco no período.
O risco (ou incidência acumulada) é a proporção de indivíduos que desenvolvem o desfecho em um grupo específico durante um intervalo de tempo definido, variando de 0 a 1.
A bioestatística é fundamental para a interpretação de estudos clínicos e a prática da medicina baseada em evidências. O cálculo de medidas de frequência, como o risco, permite quantificar a magnitude de um problema de saúde em diferentes populações. Em ensaios clínicos randomizados, a alocação aleatória garante que os grupos sejam comparáveis, permitindo que a diferença nos riscos observados seja atribuída à intervenção (neste caso, a vacina). Para calcular o risco no grupo vacinado: 10 casos / 1000 participantes = 0,01 (ou 1%). Para o grupo não vacinado: 50 casos / 1000 participantes = 0,05 (ou 5%). Esses valores são a base para cálculos subsequentes de Redução do Risco Absoluto (RRA), Risco Relativo (RR) e Número Necessário para Tratar (NNT), que ajudam o clínico a entender o impacto real de uma intervenção na saúde pública.
Na prática epidemiológica, o termo 'risco' é frequentemente usado como sinônimo de 'incidência acumulada'. Ambos representam a probabilidade de um indivíduo desenvolver uma doença em um período específico. O cálculo é feito dividindo-se o número de casos novos pelo total de pessoas em risco no início do acompanhamento. Diferencia-se da 'taxa de incidência' (ou densidade de incidência), que utiliza no denominador o tempo-pessoa de observação, sendo mais precisa para populações dinâmicas.
A eficácia vacinal (EV) é calculada comparando-se o risco no grupo vacinado (Rv) com o risco no grupo não vacinado (Rnv). A fórmula é EV = (Rnv - Rv) / Rnv, ou EV = 1 - Risco Relativo (RR). No exemplo dado, o RR seria 0,01 / 0,05 = 0,2. Portanto, a eficácia seria 1 - 0,2 = 0,8 (ou 80%). Isso significa que a vacina reduziu em 80% o risco de contrair a doença em comparação ao grupo placebo.
O Risco Relativo é a razão entre o risco do grupo exposto (vacinados) e o risco do grupo não exposto (placebo). Se RR = 1, não há associação entre a exposição e o desfecho. Se RR > 1, a exposição é um fator de risco. Se RR < 1, a exposição é um fator de proteção. No estudo citado, o RR de 0,2 indica que os vacinados tiveram apenas 20% do risco dos não vacinados, confirmando o efeito protetor da vacina.
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