Cirrose Hepática: Avaliação do Risco Cirúrgico Pré-Operatório

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

FBG, 55 anos, sexo masculino, com cirrose hepática de origem etanólica, no momento sem queixas, está em pré-operatório de colecistectomia videolaparoscópica, indicado no tratamento de colecistolitíase sintomática. Ao exame físico encontrava-se orientado no tempo e espaço, FC: 80bpm, PA: 130x60mmHg, ascite grau I e sem edema em membros inferiores. Os exames laboratoriais evidenciavam: Hb: 10,3%, Leucócitos globais: 5.000/ mm³, plaquetas: 122.000/mm³, Ur: 50mg%, Cr: 1,2mg%, NA: 132mEq/L, K: 3,0mEq/L, albumina 3,6%, bilirrubina 1,5mg%, tempo de protrombina 14 segundos (controle 12 segundos) e RNI 1,4. Em relação ao caso é CORRETO afirmar?

Alternativas

  1. A) A cirurgia deve ser contraindicada neste momento, em decorrência do grau de cirrose hepática.
  2. B) É indispensável calcular o MELD (modelo para doença hepática crônica terminal) nestes casos para avaliar a indicação cirúrgica.
  3. C) O paciente é classifica como ChildPugh B, devendo ser encaminhado ao hepatologista para avaliação clínica completa.
  4. D) O risco cirúrgico desse paciente não é elevado considerando o seu estado geral e o porte da operação proposta.

Pérola Clínica

Child-Pugh A (5-6 pontos) indica cirrose compensada com baixo risco para cirurgias eletivas não hepáticas.

Resumo-Chave

A classificação de Child-Pugh é essencial para estratificar o risco cirúrgico em pacientes com cirrose. Um paciente com Child-Pugh A (5-6 pontos) apresenta cirrose compensada, com baixo risco de descompensação e mortalidade para cirurgias de pequeno a médio porte, como a colecistectomia videolaparoscópica.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que representa um desafio significativo na avaliação pré-operatória de pacientes que necessitam de cirurgias não hepáticas. A prevalência da cirrose é crescente, e a compreensão de seu impacto no risco cirúrgico é vital para a segurança do paciente. A avaliação cuidadosa é crucial para evitar descompensação hepática e complicações pós-operatórias graves, que podem incluir insuficiência hepática aguda, sangramento e infecções. A estratificação do risco cirúrgico em cirróticos baseia-se principalmente nas classificações de Child-Pugh e MELD. A classificação de Child-Pugh avalia a função sintética e descompensação hepática, categorizando os pacientes em classes A, B ou C, que se correlacionam diretamente com a mortalidade pós-operatória. O MELD score, por sua vez, é mais preditivo de mortalidade em 90 dias e é amplamente utilizado para priorização de transplantes, mas também serve como um indicador de risco em cirurgias. Para cirurgias eletivas, pacientes Child-Pugh A geralmente podem ser submetidos a procedimentos de baixo a moderado porte com risco aceitável, desde que otimizados clinicamente. Pacientes Child-Pugh B e C apresentam riscos substancialmente maiores, e a indicação cirúrgica deve ser cuidadosamente ponderada, muitas vezes com a necessidade de intervenções para otimizar a função hepática ou até mesmo a contraindicação do procedimento. A colecistectomia videolaparoscópica, por ser minimamente invasiva, pode ser uma opção mais segura em cirróticos compensados.

Perguntas Frequentes

Como a classificação de Child-Pugh é utilizada para avaliar o risco cirúrgico?

A classificação de Child-Pugh avalia cinco parâmetros (ascite, encefalopatia, bilirrubina, albumina e RNI) para classificar a cirrose em A, B ou C. Pacientes Child-Pugh A têm menor risco de mortalidade pós-operatória (10%), enquanto Child-Pugh B (30%) e C (80%) apresentam riscos significativamente maiores para cirurgias não hepáticas.

Qual a importância do MELD score na avaliação pré-operatória de cirróticos?

O MELD score (Model for End-Stage Liver Disease) é um sistema de pontuação que utiliza bilirrubina, creatinina e RNI para prever a sobrevida em 90 dias. Embora seja mais usado para transplante, um MELD elevado (>15) também indica maior risco de mortalidade em cirurgias não hepáticas, complementando a avaliação do Child-Pugh.

Quais são os principais fatores que aumentam o risco cirúrgico em pacientes com cirrose?

Os principais fatores que aumentam o risco cirúrgico em cirróticos incluem a presença de ascite refratária, encefalopatia hepática, bilirrubina elevada, albumina baixa, RNI prolongado, hipertensão portal grave e desnutrição. A descompensação da cirrose é o maior preditor de complicações pós-operatórias.

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