Risco Cardiovascular: Além das Tabelas de Estratificação
AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Enunciado
Ademir, 53 anos, pardo, trabalhador da construção civil, classe social baixa, veio em busca de check-up na Unidade Básica de Saúde. Considera necessário fazer novos exames de sangue por preocupação de falecer por infarto aos 54 anos como ocorreu com o pai dele. Sem doenças prévias. Fuma 15 cigarros/dia desde que os 15 anos; bebe 6 latinhas de cerveja 2 vezes por semana. Sem exercícios rotineiros no lazer. Hoje tomou diclofenaco há algumas horas, como costuma fazer 2 a 3 vezes por semana para dor lombar ou nas pernas após o trabalho. No prontuário, consta há 1 mês dosagem de colesterol total = 255 mg/dL, HDL = 40 mg/dL, glicemia de jejum = 98 mg/dL. Ao exame, hoje está com pressão arterial = 146x96, IMC = 24. Colocando estes dados na tabela de Risco Cardiovascular Global da OMS calibrada para o Brasil, você identifica haver 9% de risco de desfechos coronarianos duros em 10 anos. Na consulta de hoje, é adequado informá-lo que:
Alternativas
A) A ingesta etílica descrita é um fator protetor e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser menor do que os 9% calculados, sendo recomendado priorizar os esforços na abordagem do tabagismo, ajustando conforme o nível de motivação.
B) A história familiar é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que 9%, sendo recomendado solicitar com urgência exame do perfil lipídico completo e da hemoglobina glicada para melhorar tal estimativa.
C) O consumo frequente de diclofenaco é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que os 9% calculados, sendo prioritário prescrever hoje o início do uso de estatina, visando reduzir o colesterol total em pelo menos 25%.
D) A situação socioeconômica é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que 9%, sendo recomendado investigar o padrão alimentar e a princípio pedir apenas um exame hoje: a monitorização residencial da pressão arterial.
E) O sedentarismo é um fator de risco agravante e, portanto, a maior recomendação é que comece exercícios programados de forma rotineira, na intensidade e duração necessárias para obter redução da pressão arterial e do colesterol total, com precauções para não piorar as dores.
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