SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Manoel é um homem de 55 anos, branco, sedentário, hipertenso, que chega até a unidade de saúde com a expectativa de fazer exames. Diz que utiliza losartana 50 mg de 12/12 horas há 10 anos e que acredita que a medicação esteja fraca, pois a pressão tem ficado descontrolada. Entendendo o contexto de Manoel, você solicita exames complementares, os quais mostram os resultados a seguir: Colesterol total = 195; HDL = 40; LDL = 120; Triglicérides = 230; Glicemia de jejum = 108; Hemoglobina glicada = 5,6%; Creatinina = 0,7; EAS = sem alterações; Eletrocardiograma = normal; Medida ambulatorial de pressão arterial (MAPA) = PA média de 145 x 78 mmHg; Após analisá-los, você decide calcular o risco cardiovascular de Manoel por meio da calculadora Framingham, cujo desfecho é de 21,40%. Diante do risco cardiovascular aferido, a melhor conduta é:
Risco cardiovascular Framingham > 20% (alto risco) → iniciar estatina (Sinvastatina) e estimular mudança de estilo de vida.
O paciente apresenta múltiplos fatores de risco (idade, sexo masculino, sedentarismo, hipertensão descontrolada, dislipidemia com triglicerídeos elevados, glicemia de jejum limítrofe) e um risco cardiovascular de Framingham de 21,40%, classificando-o como alto risco. Nesses casos, a terapia com estatina é indicada para redução do LDL-C e prevenção primária de eventos cardiovasculares, associada a medidas de estilo de vida.
A estratificação do risco cardiovascular é uma etapa fundamental na prática clínica, permitindo identificar pacientes com maior probabilidade de desenvolver eventos cardiovasculares adversos e guiar intervenções preventivas. A calculadora de Framingham é uma das ferramentas mais utilizadas para estimar o risco em 10 anos, considerando múltiplos fatores de risco tradicionais. No caso apresentado, o paciente Manoel possui um risco cardiovascular de 21,40% pelo escore de Framingham, o que o classifica como de alto risco. Para pacientes nessa categoria, a terapia com estatinas é fortemente recomendada para a redução do colesterol LDL, que é um dos principais alvos terapêuticos na prevenção primária de doenças cardiovasculares. A sinvastatina é uma opção eficaz e amplamente disponível. Além da farmacoterapia, as modificações no estilo de vida são pilares do tratamento. Estimular exercícios físicos regulares, uma dieta saudável, cessação do tabagismo (se aplicável) e controle do peso são medidas essenciais que potencializam os efeitos das medicações e contribuem significativamente para a redução do risco cardiovascular global. O controle da pressão arterial e da glicemia também são cruciais, e a revisão da dose de losartana ou adição de outra medicação anti-hipertensiva pode ser necessária para otimizar o controle pressórico.
A terapia com estatina é indicada para prevenção primária em pacientes com alto risco cardiovascular, geralmente definido por escores como Framingham (risco > 20% em 10 anos) ou outros critérios, mesmo na ausência de doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida.
O uso de AAS para prevenção primária é mais controverso e tem indicações mais restritas, geralmente reservado para pacientes selecionados com alto risco cardiovascular e baixo risco de sangramento, após discussão individualizada dos riscos e benefícios.
A calculadora de Framingham estima o risco de um evento cardiovascular em 10 anos com base em fatores como idade, sexo, colesterol, pressão arterial, tabagismo e diabetes. Esse escore é fundamental para estratificar o risco do paciente e guiar decisões sobre intervenções farmacológicas e mudanças de estilo de vida.
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