Risco Cardiovascular em Diabetes: Avaliação e Fatores

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

A.S, homem, 52 anos, com queixa de astenia, foi ao ambulatório dos residentes de clínica médica do HUSE. Casado, 2 filhos, trabalha com vigilante de uma escola, não fuma, não bebe, não pratica atividade física regular, tem história familiar positiva para doença cardiovascular. Refere ter sido diagnosticado com Diabetes mellitus, porém não seguiu as orientações médicas. Ao exame físico: peso =85 Kg, altura, 1,70m, PA= 150x92 mmHg, FC= 85bpm, Sato2= 98%. Ao exame físico dos aparelhos respiratório, cardiovascular e do abdmem não foram encontradas alterações. Trouxe consigo exames recentes (realizados há 1 mês): Hb=13,1, ureia= 44, creat 0,7, glicemia de jejum = 179mg/dl, pós-prandial = 257 mg/dl e hemoglobina glicada = 9,5%. Marque a questão errada:

Alternativas

  1. A) Este paciente possivelmente tem diabetes mellitus
  2. B) Este paciente apresenta classificação de risco cardiovascular em nível 1
  3. C) Como fatores de risco cardiovascular para este paciente pode- se citar: sedentarismo, história familiar, sobrepeso, diabetes mellitus.
  4. D) Dentre os exames a serem solicitados são necessários ecocardiograma e teste ergométrico
  5. E) Provavelmente, após retornar com os exames, como orientação para este paciente estarão atividade física e orientação nutricional

Pérola Clínica

Paciente DM + HAS + sobrepeso + sedentarismo + HF → Alto risco CV, não nível 1.

Resumo-Chave

Este paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular (DM descompensado, HAS, sobrepeso, sedentarismo, história familiar positiva) que o colocam em um nível de risco elevado, não nível 1. A avaliação inicial deve focar no controle dos fatores de risco e na triagem de complicações, mas exames como ecocardiograma e teste ergométrico não são rotina para assintomáticos.

Contexto Educacional

A avaliação do risco cardiovascular em pacientes com Diabetes Mellitus é um pilar fundamental na clínica médica, dada a alta prevalência de complicações macrovasculares nessa população. Fatores como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, sedentarismo e história familiar de doença cardiovascular precoce atuam sinergicamente, elevando substancialmente o risco de eventos. O paciente do caso apresenta um perfil de alto risco, com DM descompensado (HbA1c de 9,5%), hipertensão, sobrepeso e sedentarismo, além de história familiar positiva. O diagnóstico de Diabetes Mellitus é confirmado por glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%. No caso, os valores de glicemia de jejum (179 mg/dL) e HbA1c (9,5%) confirmam o diagnóstico e indicam mau controle. A estratificação de risco cardiovascular deve considerar todos os fatores presentes. Pacientes diabéticos com múltiplos fatores de risco são classificados como de alto ou muito alto risco, e não como nível 1, que seria um risco baixo. O tratamento inicial para este paciente deve incluir mudanças no estilo de vida (atividade física e orientação nutricional) e controle rigoroso da glicemia e pressão arterial. Exames como ecocardiograma e teste ergométrico não são rotineiramente solicitados para todos os diabéticos assintomáticos, mas sim em casos de suspeita clínica ou para estratificação de risco mais aprofundada em pacientes de muito alto risco ou antes de iniciar regimes de exercícios intensos. A abordagem deve ser multifatorial, visando a redução de todos os fatores de risco modificáveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco cardiovascular para um paciente diabético?

Os principais fatores incluem idade avançada, sexo masculino, história familiar de doença cardiovascular precoce, dislipidemia, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, sedentarismo, microalbuminúria e mau controle glicêmico (evidenciado por HbA1c elevada).

Quando solicitar ecocardiograma e teste ergométrico em um paciente diabético assintomático?

Ecocardiograma e teste ergométrico não são exames de rotina para todos os diabéticos assintomáticos. São indicados em casos de sintomas sugestivos de doença cardíaca, alterações no ECG de repouso, ou para estratificação de risco em pacientes de alto risco antes de iniciar atividade física intensa ou em situações clínicas específicas.

Como a hemoglobina glicada (HbA1c) se relaciona com o risco cardiovascular?

A HbA1c reflete o controle glicêmico médio dos últimos 2-3 meses. Níveis elevados de HbA1c indicam mau controle do diabetes, o que está diretamente associado a um maior risco de complicações macrovasculares, incluindo doença cardiovascular, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

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