SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Considere uma paciente de 54 anos de idade, diabética (HbA1c = 8,2%), cardiopata isquêmica com infarto agudo do miocárdio prévio e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Encontra-se em tratamento para diabetes com metformina 850 mg três vezes ao dia e glibenclamida 5 mg pela manhã. No exame físico, chama a atenção a presença de manchas hiperpigmentadas/escurecidas em áreas de dobras. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatados, bem como nas últimas diretrizes mundiais relacionadas ao tratamento da diabetes, publicadas em 2019, julgue o item a seguir. Por definição, a paciente tem alto risco cardiovascular.
DM + Doença Cardiovascular Estabelecida (IAM/ICFER) = Muito Alto Risco Cardiovascular.
Pacientes diabéticos com doença aterosclerótica manifesta ou insuficiência cardíaca são classificados automaticamente como de muito alto risco, exigindo metas lipídicas e glicêmicas rigorosas.
A estratificação de risco cardiovascular no diabetes é fundamental para definir a agressividade do tratamento. Pacientes com eventos prévios (IAM) ou ICFER já entram na categoria de maior risco, onde o controle da glicemia é apenas um dos pilares, sendo a proteção cardiovascular com iSGLT2 e estatinas de alta potência mandatória. A fisiopatologia envolve a inflamação crônica e o estresse oxidativo que aceleram a aterogênese e a disfunção miocárdica.
Pacientes com Diabetes Mellitus (DM) que apresentam doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida (infarto prévio, AVC, doença arterial periférica), insuficiência cardíaca, ou lesão de órgão-alvo significativa (como albuminúria > 300mg/g ou TFG < 30) são classificados como de muito alto risco. Nestes casos, a meta de LDL costuma ser < 50 mg/dL e o tratamento deve priorizar drogas com benefício cardiovascular comprovado, como iSGLT2 ou análogos de GLP-1.
A acanthosis nigricans é um marcador clínico clássico de resistência insulínica severa. Embora não defina o risco cardiovascular isoladamente, ela frequentemente coexiste com a síndrome metabólica e o diabetes tipo 2 descompensado, reforçando a necessidade de uma abordagem metabólica agressiva para prevenir eventos macrovasculares futuros.
Segundo as diretrizes da SBD e ESC, pacientes com DM e ICFER devem preferencialmente utilizar inibidores do SGLT2 (iSGLT2), independentemente da HbA1c, devido à redução de hospitalizações por IC e mortalidade. A glibenclamida deve ser evitada pelo risco de hipoglicemia e ganho de peso, não trazendo benefícios cardiovasculares.
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