Risco Cardiovascular em Idosos: Manejo de HAS e DM2

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 76 anos de idade, assintomático, é atendido em consulta de rotina. Não há histórico de tabagismo, etilismo, dispepsia, asma, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. Faz uso regular de clortalidona e losartana. Exame físico: bom estado geral, corado, anictérico e eupneico; PA: 146 x 98 mmHg, FC: 88 bpm, ausculta pulmonar: normal, extremidades: sem edema; demais: sem alteração relevante. Glicemia capilar: 246 mg/dL. ECG realizado há duas semanas é mostrado a seguir.Além de solicitar os exames recomendados para esse paciente, nesse momento, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) trata-se de um paciente de alto risco cardiovascular, sendo recomendada a internação hospitalar para agilizar os exames que serão necessários.
  2. B) existe a necessidade de se confirmar o aumento da pressão arterial em três outras medidas em dias diferentes antes de se prescrever um anti-hipertensivo.
  3. C) o bloqueio de ramo direito e extra-sístoles ventriculares mais frequentemente indicam a presença de hipertensão pulmonar sugestivos de tromboembolismo pulmonar.
  4. D) ácido acetilsalicílico e atenolol devem ser incluídos na prescrição do paciente.

Pérola Clínica

Idoso com HAS e DM2, mesmo assintomático, tem alto risco CV → considerar AAS e betabloqueador (se indicado) para proteção.

Resumo-Chave

O paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular (idade, HAS, DM2) que o colocam em alto risco. A inclusão de AAS para prevenção primária (se não houver contraindicação) e um betabloqueador como atenolol (especialmente se houver indicação como doença coronariana ou controle de arritmias) é uma conduta comum para reduzir eventos cardiovasculares.

Contexto Educacional

Este caso clínico ilustra a importância da avaliação do risco cardiovascular global em pacientes idosos, mesmo quando assintomáticos. O paciente apresenta hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, ambos fatores de risco significativos para eventos cardiovasculares. A idade avançada (76 anos) por si só já confere um risco elevado. A presença de bloqueio de ramo direito e extra-sístoles ventriculares no ECG, embora não sejam diagnósticos de doença coronariana aguda, podem indicar doença cardíaca estrutural subjacente. A estratificação de risco é fundamental para guiar a conduta. Pacientes com HAS e DM2 são considerados de alto risco cardiovascular. Nesses casos, a prevenção primária com ácido acetilsalicílico (AAS) é frequentemente recomendada, desde que o benefício supere o risco de sangramento. O controle da pressão arterial e da glicemia são pilares do tratamento. A inclusão de um betabloqueador como o atenolol pode ser benéfica para o controle da frequência cardíaca, redução da pressão arterial e manejo de arritmias como as extra-sístoles ventriculares, especialmente se houver evidência de doença coronariana ou insuficiência cardíaca. É crucial que residentes saibam identificar esses fatores de risco e aplicar as diretrizes de prevenção e tratamento para otimizar o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco cardiovascular o paciente apresenta?

O paciente apresenta idade avançada (76 anos), hipertensão arterial sistêmica (PA 146x98 mmHg) e diabetes mellitus (glicemia capilar 246 mg/dL).

Por que o ácido acetilsalicílico (AAS) seria indicado neste paciente?

O AAS é indicado para prevenção primária de eventos cardiovasculares em pacientes de alto risco, como este, que possui HAS e DM2, desde que não haja contraindicações.

Qual o papel do atenolol na prescrição deste paciente?

O atenolol, um betabloqueador, pode ser indicado para controle da frequência cardíaca, tratamento de arritmias (como as extra-sístoles ventriculares) e como anti-hipertensivo, especialmente em pacientes com doença coronariana.

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