UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Rodolfo Beso tem 55 anos, portador de HAS, DM2 (ambos há cerca de 10 anos), tabagista há 30 anos (atualmente fuma 01 maço ao dia), etilista (faz uso de cerveja apenas aos finais de semana). Sedentário. Trabalha como motorista de ônibus num regime de 8h/dia. História familiar de pais diabéticos e hipertensos, mãe falecida com AVC aos 50 anos. Rodolfo Beso reside no bairro Pacupéva, localizada no distrito leste do município de Curimbatá do Oeste. A UBS responsável por esse bairro também atende os bairros Bagrinho, Lambari e Rapa-canoa. A UBS chama-se Cardume feliz. Tem cerca de 5000 pessoas cadastradas e contam com 06 microáreas cobertas. A Unidade tem apenas uma equipe da Estratégia de Saúde da família. Rodolfo procurou a UBS supracitada para uma consulta de acompanhamento. Está em uso de losartana 50mg VO 12/12h, glicazida 60mg VO cedo, metformina XR 1g VO 02 cps ao dia. Traz resultados de exames (glicemia de jejum 245, HbA1C 9,5%, colesterol total 302, HDL 28, LDL 202, Triglicerideos 520, Creatinina 1,3, K 4,5, EAS com glicose ++ sem outras alterações). Sua pré-consulta evidencia: peso: 115kg, alt 172 cm, PA 160x100 mmHg. Dextro (pós prandial) 334 mg/dl. Sobre o paciente Rodolfo Beso e suas patologias e tratamentos, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O paciente encontra-se com as patologias HAS e DM2 descompensadas, porém com risco cardiovascular baixo. ( ) Nesse caso, para controle glicêmico melhor dever-se-ia iniciar insulina basal e suspender os hipoglicemiantes orais. ( ) Para melhorar o controle dos níveis pressóricos, poderia associar um Bloqueador de canal de cálcio como anlodipino. ( ) Deve-se prescrever uma estatina (rosuvastatina, atorvastatina ou sinvastatina com ezetimiba). ( ) O valor da hemoglobina glicosilada pode estar falsamente aumentado.Assinale a sequência correta.
Paciente DM2 + HAS + tabagismo + dislipidemia = alto risco CV; controle intensivo é mandatório.
Pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular como DM2, HAS, tabagismo e dislipidemia, mesmo que em uso de medicação, frequentemente necessitam de intensificação do tratamento para atingir metas pressóricas e glicêmicas, além de controle lipídico agressivo. A avaliação do risco cardiovascular é fundamental para guiar a terapêutica.
O manejo de pacientes com múltiplas comorbidades crônicas, como Diabetes Mellitus tipo 2 e Hipertensão Arterial Sistêmica, é um desafio comum na atenção primária e secundária. A avaliação do risco cardiovascular global é o ponto de partida para definir metas terapêuticas e estratégias de tratamento. Pacientes com múltiplos fatores de risco, como o descrito, são classificados como de alto ou muito alto risco, exigindo uma abordagem intensiva. O controle glicêmico e pressórico rigoroso, juntamente com o manejo agressivo da dislipidemia, são pilares para reduzir eventos cardiovasculares. A escolha dos medicamentos deve ser individualizada, considerando comorbidades, tolerância e custo. A associação de diferentes classes de anti-hipertensivos e a intensificação do tratamento para o DM2, incluindo a possível introdução de insulina, são frequentemente necessárias. É fundamental que residentes compreendam não apenas a farmacologia, mas também a importância da modificação do estilo de vida e da educação do paciente. A interpretação correta de exames laboratoriais, como a HbA1c e o perfil lipídico, e o conhecimento dos fatores que podem influenciá-los, são essenciais para um manejo clínico eficaz e seguro.
Fatores como tempo de doença (DM2 e HAS há 10 anos), tabagismo, sedentarismo, obesidade, dislipidemia grave (LDL alto, TG alto, HDL baixo) e história familiar de eventos cardiovasculares precoces (AVC na mãe aos 50 anos) indicam alto risco cardiovascular.
Com HbA1c de 9,5%, a intensificação é necessária. Pode-se considerar a adição de insulina basal (mantendo metformina) ou um agonista de GLP-1. A suspensão de todos os orais não é a primeira opção, especialmente da metformina.
Em pacientes diabéticos com HAS, inibidores da ECA ou BRAs são a primeira linha. Se a pressão não for controlada, podem ser associados diuréticos tiazídicos, bloqueadores de canal de cálcio (como anlodipino) ou betabloqueadores (com cautela).
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