TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Quais são as bactérias mais comuns na agudização de quadro de rinossinusite na fibrose cística?
Rinossinusite na Fibrose Cística = S. aureus + P. aeruginosa (flora típica da doença).
Ao contrário da sinusite comunitária, a agudização sinusal na fibrose cística é dominada por Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa.
A Fibrose Cística (FC) é uma doença multissistêmica onde as manifestações sinobronquiais são as principais causas de morbidade. Quase a totalidade dos pacientes apresenta evidências de rinossinusite crônica. A microbiologia sinusal na FC é peculiar e espelha a microbiologia do trato respiratório inferior devido ao conceito de 'via aérea única'. Enquanto na população geral os patógenos da sinusite aguda são o Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenzae, na FC o Staphylococcus aureus e a Pseudomonas aeruginosa são os agentes centrais. O manejo exige vigilância constante, pois a infecção sinusal pode servir como reservatório para a colonização pulmonar, exacerbando o quadro respiratório global do paciente. O reconhecimento desses patógenos é essencial para a escolha correta da antibioticoterapia.
O defeito na proteína CFTR resulta em um muco espesso e desidratado, que prejudica o clearance mucociliar. Isso cria um ambiente de hipóxia e estase que favorece a colonização bacteriana persistente. A Pseudomonas aeruginosa possui mecanismos de adaptação, como a formação de biofilmes e a mudança para o fenótipo mucoide, que a tornam extremamente resistente às defesas do hospedeiro e aos antibióticos nas vias aéreas desses pacientes.
Em crianças pequenas com fibrose cística, o Staphylococcus aureus e o Haemophilus influenzae são frequentemente os primeiros colonizadores detectados. Com o avançar da idade, ocorre uma transição epidemiológica onde a prevalência de Pseudomonas aeruginosa aumenta significativamente, tornando-se o patógeno predominante na adolescência e vida adulta, sendo o principal marcador de gravidade e declínio funcional.
O tratamento deve ser guiado por culturas prévias de secreção nasal ou aspirado sinusal. Na ausência de resultados recentes, a terapia empírica deve obrigatoriamente cobrir Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Além da antibioticoterapia sistêmica, o uso de soluções salinas hipertônicas e antibióticos tópicos via nasal é frequentemente empregado para reduzir a carga bacteriana e melhorar os sintomas obstrutivos.
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