ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um escolar de 8 anos apresenta há 15 dias secreção e obstrução nasal, além de tosse. Há um dia vem apresentando febre. O medicamento a ser iniciado é:
Tosse/secreção > 10 dias ou quadro de 'dupla piora' → Rinossinusite bacteriana aguda.
O diagnóstico de rinossinusite bacteriana em pediatria é clínico, fundamentado na persistência de sintomas respiratórios superiores por mais de 10 dias ou na gravidade inicial dos sintomas.
A rinossinusite bacteriana aguda (RSBA) é uma complicação comum de infecções virais das vias aéreas superiores (IVAS). Em crianças, a diferenciação entre um resfriado comum autolimitado e uma RSBA é desafiadora, pois a secreção nasal purulenta pode ocorrer em ambos. A persistência temporal (regra dos 10 dias) é o marcador clínico mais confiável para infecção bacteriana secundária. Os principais agentes etiológicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. O tratamento padrão é a Amoxicilina (45-50 mg/kg/dia em casos de baixo risco ou 80-90 mg/kg/dia em áreas de resistência pneumocócica). A duração do tratamento geralmente varia de 10 a 14 dias ou até 7 dias após a resolução dos sintomas. O manejo adjuvante com lavagem nasal com solução salina é recomendado para auxiliar no clearance mucociliar.
O diagnóstico é clínico e baseia-se em três apresentações: 1) Sintomas persistentes: secreção nasal (qualquer cor) ou tosse diurna por mais de 10 dias sem melhora; 2) Sintomas graves: febre alta (≥ 39°C) e secreção nasal purulenta por pelo menos 3 dias consecutivos no início da doença; 3) Quadro de 'dupla piora': ressurgimento de febre, tosse ou secreção nasal após uma melhora inicial de um quadro viral comum.
A Amoxicilina é o antibiótico de primeira linha porque apresenta excelente cobertura contra o Streptococcus pneumoniae, que é o principal patógeno bacteriano nas rinossinusites, além de ser segura, barata e ter espectro adequado. Em regiões com alta prevalência de Haemophilus influenzae produtor de beta-lactamase ou Moraxella catarrhalis, ou em pacientes com falha terapêutica, a associação com Clavulanato pode ser indicada.
Exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada de seios da face, não devem ser realizados rotineiramente para o diagnóstico de rinossinusite aguda não complicada. Eles estão reservados para casos de suspeita de complicações orbitárias (celulite periorbitária/orbitária) ou intracranianas (abscessos, meningite), ou em casos de rinossinusite crônica ou recorrente que não respondem ao tratamento clínico otimizado.
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