UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Homem de 45 anos, com sintomas gripais há sete dias, procura a UBS, queixando-se de, há dois dias, ter iniciado dor facial em opressão bilateral, leve/moderada, que piora quando abaixa a cabeça, congestão nasal, coriza espessa (mucoide, mas às vezes amarelada), dor de cabeça, febre baixa e diminuição do olfato e paladar. Ele nega estar vacinado para gripe ou COVID-19. Considerando os sintomas e a etiologia mais frequente no caso desse diagnóstico, o tratamento a ser realizado deve incluir a recomendação de repouso e hidratação abundante, além de:
Rinossinusite aguda < 10 dias + febre baixa → Etiologia viral/pós-viral; tto: sintomáticos + lavagem nasal.
A maioria das rinossinusites agudas é viral. O tratamento foca em alívio sintomático com lavagem nasal e corticoides tópicos, reservando antibióticos para casos com critérios de gravidade ou persistência > 10 dias.
A rinossinusite aguda é definida pela inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais, caracterizada por obstrução nasal, rinorreia, dor facial e hiposmia. O quadro clínico apresentado (7 dias de evolução, febre baixa, dor bilateral) é altamente sugestivo de etiologia viral ou pós-viral. O tratamento padrão ouro envolve a higiene nasal com solução salina, que remove mecanicamente detritos e mediadores inflamatórios, e o uso de corticoides tópicos para controle da inflamação local. A vacinação é uma medida preventiva essencial, mas deve ser postergada até a resolução do quadro agudo febril para evitar confusão entre sintomas da doença e possíveis reações vacinais.
Suspeita-se de etiologia bacteriana quando os sintomas persistem por mais de 10 dias sem melhora, há presença de febre alta (>39°C) associada a secreção purulenta por 3-4 dias consecutivos, ou ocorre o fenômeno de 'double sickening' (piora após melhora inicial). A presença de dor unilateral intensa e prostração também corrobora o diagnóstico bacteriano.
O corticoide tópico nasal auxilia na redução do edema da mucosa e da inflamação nos óstios de drenagem sinusal, facilitando a ventilação dos seios paranasais. É especialmente útil em pacientes com rinite alérgica de base e naqueles com quadros pós-virais, ajudando a reduzir a duração dos sintomas sem os riscos sistêmicos dos corticoides orais.
A vasta maioria das rinossinusites agudas (90-98%) é de etiologia viral. O uso indiscriminado de antibióticos não altera o curso da doença viral, expõe o paciente a efeitos colaterais desnecessários e contribui significativamente para o aumento da resistência bacteriana na comunidade.
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