HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Homem de 25 anos procura atendimento relatando dor facial há quinze dias. A dor piora ao abaixar a cabeça, e está associada a tosse produtiva, congestão nasal, sensação de rinorreia posterior e hiposmia. Nega febre ou outras queixas. Desconhece antecedentes mórbidos ou alergias, não usa medicamentos contínuos nem fez tratamentos médicos recentes. A melhor conduta neste momento é:
Rinossinusite aguda bacteriana: dor facial, secreção purulenta, >10 dias ou piora após melhora inicial → Amoxicilina-clavulanato.
A rinossinusite aguda é predominantemente viral. A suspeita de etiologia bacteriana surge com sintomas persistentes por mais de 10 dias, piora após melhora inicial ou sintomas graves. Nesses casos, a amoxicilina-clavulanato é a primeira escolha, e exames de imagem como a TC de seios da face não são indicados rotineiramente no início do tratamento.
A rinossinusite aguda é uma condição inflamatória da mucosa nasal e dos seios paranasais, sendo uma das queixas mais comuns na atenção primária. Embora a maioria dos casos seja de etiologia viral, a distinção entre viral e bacteriana é crucial para evitar o uso desnecessário de antibióticos e a resistência antimicrobiana. A epidemiologia mostra que apenas uma pequena porcentagem das rinossinusites agudas tem causa bacteriana, mas estas podem levar a complicações sérias se não tratadas adequadamente. É fundamental que o residente saiba diferenciar os quadros para uma conduta assertiva. A fisiopatologia da rinossinusite envolve a obstrução do óstio de drenagem dos seios, levando ao acúmulo de muco e proliferação bacteriana. Os principais agentes bacterianos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. O diagnóstico é clínico, baseado na duração e na gravidade dos sintomas. Sinais como dor facial unilateral, secreção purulenta e febre alta aumentam a probabilidade de infecção bacteriana. A ausência de febre não exclui a etiologia bacteriana, como visto no caso apresentado, mas a persistência dos sintomas por mais de 10 dias é um forte indicativo. O tratamento da rinossinusite bacteriana envolve antibióticos, sendo a amoxicilina-clavulanato a escolha preferencial devido à sua eficácia contra os patógenos comuns e cobertura para cepas produtoras de beta-lactamase. Sintomáticos como analgésicos, anti-inflamatórios e lavagem nasal com soro fisiológico são importantes para alívio dos sintomas. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falha terapêutica ou o surgimento de sinais de alarme (edema periorbitário, alterações visuais, cefaleia intensa) exigem investigação imediata para complicações.
A suspeita de rinossinusite bacteriana surge quando os sintomas persistem por mais de 10 dias sem melhora, há piora dos sintomas após uma melhora inicial (padrão bifásico), ou quando os sintomas são graves desde o início, como febre alta e dor facial intensa.
O tratamento de primeira linha para rinossinusite bacteriana é a amoxicilina-clavulanato. Em casos de alergia à penicilina, outras opções como doxiciclina ou levofloxacina podem ser consideradas, dependendo da gravidade e do perfil de resistência local.
A tomografia de seios da face não é indicada rotineiramente para o diagnóstico inicial de rinossinusite aguda. Ela é reservada para casos de suspeita de complicações (orbitárias, intracranianas), falha terapêutica após um curso adequado de antibióticos ou para planejamento cirúrgico.
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