HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
Criança de três anos, sexo feminino, trazida à Unidade Básica de Saúde (UBS) pela avó, que conta história de obstrução e secreção nasal há 6 dias. Ontem à noite a criança iniciou febre de 39,0ºC, e hoje acordou prostrada, com tosse produtiva e redução do apetite. Desenvolvimento neuropsicomotor normal para a idade, vacinação em dia, previamente hígida, sem comorbidades. Ao exame físico está hipoativa, febril (38,7ºC), corada, hidratada, eupneica, sem alterações à ausculta pulmonar, à ausculta cardíaca e ao exame abdominal. À oroscopia, hiperemia de faringe com drenagem de secreção posterior. Rinoscopia com visualização de crostas amareladas no vestíbulo nasal bilateral. Otoscopia: membrana timpânica com hiperemia radial e brilho preservado. A conduta mais indicada para o caso é
Rinosinusite bacteriana aguda pediátrica: sintomas > 10 dias OU piora após melhora inicial OU febre alta (>39ºC) + secreção purulenta por >3 dias → ATB.
A persistência de sintomas respiratórios superiores por mais de 10 dias, ou a piora após melhora inicial, ou a presença de febre alta (>39ºC) com secreção purulenta por pelo menos 3 dias, como no caso, são critérios para diagnóstico de rinosinusite bacteriana aguda e indicação de antibioticoterapia.
A rinosinusite bacteriana aguda pediátrica é uma complicação comum de infecções virais de vias aéreas superiores, caracterizada por inflamação dos seios paranasais. É importante diferenciar a etiologia viral da bacteriana para evitar o uso desnecessário de antibióticos, mas também para não atrasar o tratamento quando indicado. A prevalência é alta em crianças, e o diagnóstico correto é crucial para prevenir complicações. A fisiopatologia envolve a obstrução do óstio sinusal, levando ao acúmulo de muco e proliferação bacteriana. Os principais agentes etiológicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como persistência dos sintomas por mais de 10 dias, piora após melhora inicial ou febre alta com secreção purulenta. O tratamento da rinosinusite bacteriana aguda envolve antibioticoterapia oral, sendo a amoxicilina a primeira escolha. Medidas de suporte como lavagem nasal com soro fisiológico são fundamentais para aliviar os sintomas e auxiliar na recuperação. A duração do tratamento antibiótico geralmente varia de 10 a 14 dias, dependendo da resposta clínica.
A antibioticoterapia é indicada se os sintomas persistirem por mais de 10 dias sem melhora, se houver piora dos sintomas após uma melhora inicial, ou se houver febre alta (>39ºC) e secreção nasal purulenta por pelo menos 3 dias consecutivos.
A amoxicilina é o antibiótico de primeira linha. Em áreas com alta prevalência de S. pneumoniae resistente ou em casos de falha terapêutica, a amoxicilina-clavulanato pode ser utilizada.
A lavagem nasal ajuda a remover secreções, crostas e alérgenos, melhorando a permeabilidade nasal e o conforto do paciente, sendo uma medida adjuvante importante tanto em casos virais quanto bacterianos.
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