CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022
Menino de 3 anos de idade foi levado a consulta médica por queixa de tosse, coriza e obstrução nasal há 12 dias, sem melhora. Apresenta secreção nasal esverdeada intensa, principalmente ao acordar, que vai melhorando ao longo do dia. Queixa-se de cefaleia em região frontal durante todo o período de doença. Não há alterações do exame clínico. Traz radiografia de seios da face realizada hoje, com nível hidro-aéreo em seios maxilares. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual das alternativas a seguir justifica a introdução de antibioticoterapia.
Sinusite: ATB indicado se sintomas graves, piora após melhora inicial, ou persistência > 10 dias.
A rinosinusite aguda é predominantemente viral. A antibioticoterapia é indicada na suspeita de etiologia bacteriana, que ocorre quando os sintomas são graves, há piora após melhora inicial (doença bifásica) ou, como no caso, persistência dos sintomas por mais de 10 dias sem melhora.
A rinosinusite aguda é uma condição inflamatória da mucosa nasal e dos seios paranasais, sendo uma das queixas mais comuns na atenção primária. A vasta maioria dos casos (90-98%) tem etiologia viral e se resolve espontaneamente em 7 a 10 dias, sem a necessidade de antibióticos. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência antimicrobiana. A distinção entre rinosinusite viral e bacteriana é crucial para a conduta. Os critérios para suspeitar de rinosinusite bacteriana e, consequentemente, indicar antibioticoterapia incluem: sintomas graves (febre > 39°C, dor facial intensa, secreção purulenta por pelo menos 3-4 dias consecutivos), piora dos sintomas após uma melhora inicial (doença bifásica), ou persistência dos sintomas por mais de 10 dias sem melhora. A presença de secreção nasal esverdeada ou nível hidro-aéreo na radiografia, isoladamente, não são critérios suficientes para iniciar antibióticos. O tratamento da rinosinusite viral é sintomático, com analgésicos, descongestionantes e lavagem nasal. Para a rinosinusite bacteriana, a primeira linha de tratamento é geralmente a amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato. É fundamental educar os pacientes sobre a natureza viral da maioria dos casos e a importância de evitar antibióticos desnecessários, reservando-os para as situações em que há forte suspeita de infecção bacteriana.
A antibioticoterapia é indicada para rinosinusite aguda bacteriana quando há sintomas graves (febre alta, dor facial intensa), piora dos sintomas após uma melhora inicial (doença bifásica), ou persistência dos sintomas por mais de 10 dias sem sinais de melhora.
Não necessariamente. A secreção nasal purulenta é comum tanto em rinosinusites virais quanto bacterianas e, por si só, não é um critério suficiente para iniciar antibióticos. A duração e a gravidade dos sintomas são mais importantes.
A radiografia de seios da face, como a presença de nível hidro-aéreo, pode sugerir inflamação, mas não diferencia etiologia viral de bacteriana de forma conclusiva. O diagnóstico e a decisão de tratar com antibióticos são primariamente clínicos.
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