Rinite Alérgica Persistente: Tratamento e Classificação

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança do sexo masculino de 8 anos de idade comparece em consulta de seguimento ambulatorial para asma e rinite alérgica. Sua mãe refere que nos últimos 3 meses o paciente apresenta quadro intermitente de coriza, espirros ao acordar e obstrução nasal. Estes episódios ocorrem cerca de 2 vezes por semana, em média, em duas das quatro semanas de cada mês. Nestes períodos, mantém bom controle dos sintomas da asma com o uso de formoterol e budesonida em dose baixa, conseguindo ir para a escola, fazer esportes e sem apresentar alterações de sono. Adicionalmente, continua fazendo lavagem nasal com soro fisiológico, mas não está em uso de medicação nasal.Dois meses após a primeira consulta, o paciente comparece em consulta de retorno apresentando quadro de coriza, prurido nasal e espirros no período. Os sintomas ficaram mais intensos nas últimas 5 semanas, manifestando-se cerca de 5 vezes por semana, além de dificuldade para dormir por obstrução nasal. Mantém o tratamento da asma como orientado, com sintomas controlados. Qual é o tratamento para a rinite alérgica que deve ser iniciado neste momento, considerando a classificação na consulta atual?

Alternativas

  1. A) Corticoide sistêmico por via oral por 10 dias.
  2. B) Antileucotrieno por via oral diariamente.
  3. C) Anti-histamínico por via oral por 10 dias.
  4. D) Descongestionante nasal por tópica nasal diariamente.
  5. E) Corticoide por via tópica nasal diariamente.

Pérola Clínica

Rinite alérgica persistente moderada/grave → Corticoide tópico nasal é 1ª linha.

Resumo-Chave

A rinite alérgica é classificada pela frequência e intensidade dos sintomas. O agravamento dos sintomas para mais de 4 dias por semana e mais de 4 semanas por ano, com impacto no sono e atividades, indica rinite persistente moderada a grave, cujo tratamento de primeira linha é o corticoide tópico nasal.

Contexto Educacional

A rinite alérgica é uma condição inflamatória crônica da mucosa nasal, desencadeada por alérgenos, afetando uma parcela significativa da população e frequentemente coexistindo com a asma. Sua correta classificação e manejo são cruciais para o controle dos sintomas e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, sendo um tema recorrente em provas de residência e na prática clínica diária. A classificação ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma) divide a rinite em intermitente ou persistente, e leve ou moderada/grave, orientando a escolha terapêutica. O diagnóstico da rinite alérgica é predominantemente clínico, baseado na história de sintomas como coriza, espirros, prurido nasal e obstrução nasal, especialmente em resposta a alérgenos específicos. A diferenciação entre rinite intermitente e persistente, e entre leve e moderada/grave, é fundamental para guiar o tratamento. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por IgE, levando à liberação de mediadores inflamatórios que causam os sintomas característicos. Para a rinite alérgica persistente moderada a grave, o tratamento de escolha são os corticoides tópicos nasais, que agem reduzindo a inflamação local. Outras opções incluem anti-histamínicos orais ou nasais, descongestionantes (uso limitado), antileucotrienos e imunoterapia. O manejo adequado da rinite alérgica é importante não apenas para aliviar os sintomas nasais, mas também para otimizar o controle de comorbidades como a asma, prevenindo exacerbações e melhorando o prognóstico geral do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar a rinite alérgica como persistente moderada a grave?

A rinite alérgica é classificada como persistente se os sintomas ocorrem por mais de 4 dias por semana e por mais de 4 semanas consecutivas. É moderada a grave se os sintomas impactam o sono, as atividades diárias, o trabalho ou a escola, ou são incômodos.

Por que o corticoide tópico nasal é o tratamento de primeira linha para rinite alérgica persistente?

Os corticoides tópicos nasais são a primeira linha porque atuam diretamente na mucosa nasal, reduzindo a inflamação alérgica de forma eficaz e com mínimos efeitos sistêmicos. Eles controlam os principais sintomas como obstrução, coriza, espirros e prurido.

Quando considerar o uso de anti-histamínicos orais ou antileucotrienos na rinite alérgica?

Anti-histamínicos orais são indicados para rinite alérgica intermitente ou leve. Antileucotrienos podem ser uma opção para pacientes com rinite alérgica e asma concomitante, ou como terapia adjuvante, mas não são a primeira linha para rinite isolada.

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