Classificação da Rinite Alérgica: Critérios ARIA

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Criança do sexo feminino, 7 anos de idade em consulta de rotina, apresenta quadro de prurido nasal, congestão nasal, coriza hialina e espirros frequentes há cerca de 3 meses, ocorrendo em média cinco vezes por semana. A mãe refere roncos noturnos, sonolência diurna, queda no desempenho escolar e dificuldade na prática de esportes, além de intenso desconforto devido ao prurido e à obstrução nasal. Ao exame físico, observa-se presença de pregas infrapalpebrais, prega transversa no dorso nasal e mucosa pálida e edemaciada. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Rinite alérgica persistente leve.
  2. B) Rinite alérgica intermitente leve.
  3. C) Rinite alérgica intermitente moderada.
  4. D) Rinite alérgica intermitente grave.
  5. E) Rinite alérgica persistente grave.

Pérola Clínica

Rinite >4 dias/sem e >4 sem + impacto no sono/atividades = Persistente Moderada/Grave.

Resumo-Chave

A classificação ARIA define a rinite como persistente quando os sintomas ocorrem por mais de 4 dias por semana e por mais de 4 semanas consecutivas, sendo grave se houver prejuízo funcional.

Contexto Educacional

A rinite alérgica é a doença crônica mais comum na infância e tem um impacto significativo na qualidade de vida. A classificação atual abandonou os termos 'perene' e 'sazonal' em favor da classificação ARIA, que foca na duração e na gravidade dos sintomas. Essa mudança reflete a necessidade de tratar não apenas a inflamação nasal, mas também as repercussões sistêmicas e psicossociais da doença. O tratamento para casos persistentes e moderados/graves baseia-se no uso de corticosteroides intranasais como primeira linha, devido à sua alta eficácia em controlar todos os sintomas, especialmente a obstrução nasal. Anti-histamínicos de segunda geração e antagonistas de receptores de leucotrienos podem ser associados. A identificação precoce de sinais de gravidade, como o impacto no sono e no aprendizado, é crucial para evitar complicações como sinusites de repetição, otites e o agravamento da asma concomitante.

Perguntas Frequentes

O que define a rinite alérgica como persistente?

De acordo com o consenso ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma), a rinite alérgica é classificada como persistente quando os sintomas (prurido, espirros, coriza e obstrução) estão presentes por mais de 4 dias na semana E por mais de 4 semanas consecutivas. Se os sintomas durarem menos que esse período, a rinite é classificada como intermitente. Essa distinção é fundamental para decidir entre o tratamento sob demanda ou a terapia de manutenção contínua.

Quais critérios tornam a rinite 'moderada a grave'?

A rinite é considerada moderada a grave quando o paciente apresenta um ou mais dos seguintes critérios: distúrbios do sono, prejuízo nas atividades diárias (lazer, esportes), prejuízo no desempenho escolar ou profissional, ou se os sintomas forem considerados muito incômodos pelo paciente. Na ausência de todos esses fatores, a rinite é classificada como leve. No caso clínico, a criança apresenta roncos, sonolência diurna e queda no desempenho escolar, o que a enquadra na categoria grave/moderada.

Quais são os sinais físicos típicos da rinite alérgica crônica?

Ao exame físico, pacientes com rinite alérgica crônica frequentemente apresentam a 'saudação alérgica' (ato de esfregar o nariz para cima), que gera a prega transversa no dorso nasal. Outros sinais incluem as pregas de Dennie-Morgan (linhas infraorbitárias duplas devido ao edema), olheiras alérgicas (estase venosa periorbitária) e a face adenoidiana. À rinoscopia anterior, a mucosa nasal costuma estar pálida, edemaciada e recoberta por secreção hialina fluida.

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