SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Qual é o manejo adequado para uma criança com rinite alérgica?
Rinite alérgica → Anti-histamínicos H1 (preferência 2ª geração) para controle de sintomas.
O tratamento da rinite alérgica em crianças foca no controle dos sintomas mediado por histamina (espirros, prurido e rinorreia), sendo os anti-histamínicos de segunda geração a escolha inicial segura.
A rinite alérgica é uma das condições crônicas mais comuns na infância, impactando significativamente a qualidade de vida, o sono e o desempenho escolar. Caracteriza-se por uma inflamação da mucosa nasal mediada por IgE após exposição a alérgenos. O diagnóstico é clínico, baseado na história de espirros em salva, prurido nasal (sinal da saudação alérgica), rinorreia clara e congestão. O manejo baseia-se em três pilares: controle ambiental (redução de ácaros, fungos e epitélio de animais), farmacoterapia e, em casos selecionados, imunoterapia. Os anti-histamínicos H1 orais são eficazes para os sintomas de fase imediata. A lavagem nasal com solução salina é uma medida adjuvante essencial e segura que ajuda na remoção de alérgenos e muco, melhorando a eficácia das medicações tópicas.
Os anti-histamínicos de segunda geração (como cetirizina, loratadina e desloratadina) são preferidos na pediatria porque possuem maior seletividade pelos receptores H1 periféricos e menor passagem pela barreira hematoencefálica. Isso resulta em um perfil de segurança superior, com significativamente menos efeitos colaterais sedativos e anticolinérgicos (como boca seca e constipação) em comparação aos de primeira geração (como difenidramina e hidroxizina). Além disso, possuem posologia mais confortável, geralmente uma vez ao dia, o que aumenta a adesão ao tratamento em crianças.
Os corticoides intranasais são considerados o tratamento mais eficaz para a rinite alérgica persistente moderada a grave. Eles atuam na fase tardia da resposta alérgica, reduzindo a inflamação da mucosa e sendo superiores aos anti-histamínicos no controle da congestão nasal. Em crianças, devem ser usados na menor dose eficaz para evitar preocupações teóricas com o crescimento, embora estudos modernos mostrem segurança com moléculas de baixa biodisponibilidade sistêmica, como o furoato de mometasona ou fluticasona.
O uso de corticoides orais na rinite alérgica é extremamente restrito e deve ser evitado na rotina pediátrica. Eles podem ser considerados apenas em cursos muito curtos (3 a 5 dias) para casos de obstrução nasal severa e intratável que impede a aplicação de sprays tópicos, servindo como uma 'ponte' para o tratamento tópico. O uso recorrente ou prolongado está associado a graves efeitos colaterais sistêmicos, como supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, ganho de peso e alterações no metabolismo ósseo.
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