MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um paciente de 58 anos com diagnóstico de transtorno depressivo maior de longa data, comparece à consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde. Ele relata preocupação após ler notícias em redes sociais sugerindo que a depressão poderia aumentar o risco de diversos tipos de câncer. O médico assistente, buscando embasar sua orientação em evidências científicas, analisa com Ricardo os resultados de uma metanálise de estudos de coorte sobre o tema. Analise a imagem abaixo, que contém os resultados dessa metanálise, e assinale a alternativa que apresenta a interpretação epidemiológica correta dos dados:
Associação estatística significante → Intervalo de Confiança (IC 95%) não cruza a nulidade (1.0).
Na interpretação de metanálises, a significância estatística é confirmada quando o intervalo de confiança do risco estimado não inclui o valor 1 (unidade).
A metanálise é uma ferramenta estatística poderosa que combina resultados de múltiplos estudos independentes para obter uma estimativa mais precisa do efeito de uma intervenção ou exposição. Na prática clínica e em provas de residência, a interpretação correta do 'Forest Plot' (gráfico de floresta) é essencial. O ponto central representa a estimativa pontual (RR ou OR), e as linhas horizontais representam o intervalo de confiança. A linha vertical central (linha de nulidade) no valor 1,0 é o divisor de águas: se o IC toca ou cruza essa linha, a hipótese nula não pode ser rejeitada. No contexto da relação entre depressão e câncer, embora existam hipóteses biológicas (inflamação crônica, imunossupressão), muitas associações perdem força quando ajustadas para comportamentos de risco, como sedentarismo e tabagismo. Portanto, a análise rigorosa da significância estatística impede conclusões precipitadas sobre causalidade em estudos observacionais.
Para medidas de associação como Risco Relativo (RR) ou Odds Ratio (OR), o resultado é significante se o Intervalo de Confiança de 95% (IC 95%) não contiver o valor 1,0. Se o intervalo incluir 1,0 (ex: 0,95 a 1,20), não podemos descartar que a associação observada ocorreu ao acaso, sendo considerada estatisticamente não significante.
Significa que há um aumento estimado de 12% no risco, porém, como o intervalo de confiança cruza a unidade (1,0), esse resultado não possui significância estatística. Portanto, não se pode afirmar que existe uma associação real entre o fator de exposição e o desfecho analisado.
De acordo com os dados da metanálise apresentada, apenas o câncer de pulmão apresentou um IC 95% que não cruzou o 1,0. Isso indica que, entre as neoplasias listadas, apenas para o pulmão a associação com depressão foi estatisticamente robusta, possivelmente devido a fatores de confusão como o tabagismo, comum em pacientes deprimidos.
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