MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 68 anos, com diagnóstico de fibrilação atrial crônica, é levado ao pronto-socorro por familiares devido a uma cefaleia súbita de forte intensidade, seguida de confusão mental e fraqueza no hemicorpo direito iniciadas há cerca de 3 horas. O paciente faz uso regular de apixabana 5 mg, duas vezes ao dia, tendo ingerido a última dose há 4 horas. Ao exame físico, apresenta-se sonolento (Escala de Coma de Glasgow 12), com hemiparesia à direita e pressão arterial de 175x105 mmHg. Analise a imagem da tomografia computadorizada de crânio realizada na admissão. Considerando o quadro clínico e o achado imaginológico, a conduta mais adequada para a reversão da anticoagulação é a administração de:
Sangramento grave por Inibidor de Fator Xa (Apixabana) → Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP).
A reversão de inibidores diretos do fator Xa em emergências hemorrágicas é feita preferencialmente com CCP de 4 fatores na ausência de antídotos específicos.
O manejo de sangramentos maiores em pacientes usuários de Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs) exige rapidez. A Apixabana é um inibidor direto e reversível do fator Xa. Em casos de Hemorragia Intracraniana (HIC), o tempo é cérebro, e a expansão do hematoma deve ser prevenida imediatamente. O Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP) contém os fatores II, VII, IX e X. Diferente do Plasma Fresco Congelado, o CCP possui um volume menor e não necessita de descongelamento ou compatibilidade sanguínea, permitindo infusão rápida. O Idarucizumabe é exclusivo para a reversão da Dabigatrana (inibidor da trombina), não tendo efeito sobre a Apixabana.
O antídoto específico é o Andexanet alfa, uma molécula isca que se liga aos inibidores do fator Xa. No entanto, devido ao seu alto custo e baixa disponibilidade em muitos centros, o Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP) de 4 fatores é a conduta padrão recomendada pelas diretrizes.
A Vitamina K é utilizada para reverter antagonistas da vitamina K (como a Varfarina), pois atua na síntese hepática de novos fatores. Os DOACs (Apixabana, Rivaroxabana) inibem diretamente os fatores já circulantes, tornando a Vitamina K inútil nesse cenário de emergência.
Geralmente utiliza-se uma dose de 25 a 50 UI/kg de Concentrado de Complexo Protrombínico de 4 fatores. O objetivo é fornecer uma carga imediata de fatores de coagulação para sobrepujar o efeito inibitório da droga e promover a hemostasia.
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