Reversão de Varfarina em Hemorragia Intracraniana Aguda

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Paciente idosa é admitida no setor de Urgência do HC-UFG após perda súbita do nível de consciência. Tomografia de crânio revelou extensa hemorragia subaracnóidea aguda com indicação de intervenção de urgência da equipe da neurocirurgia. Família revelou que a paciente está usando varfarina há 3 meses após diagnóstico de fibrilação atrial. De acordo com o relato, qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Transfundir plasma fresco congelado 10-20mL/Kg e encaminhar paciente para o centro cirúrgico.
  2. B) Administrar vitamina K intramuscular e encaminhar paciente para o centro cirúrgico.
  3. C) Administrar vitamina K por sonda nasoentérica e encaminhar paciente para o centro cirúrgico.
  4. D) Administrar 1 UI/10 Kg de crioprecipitado e encaminhar paciente para o centro cirúrgico.

Pérola Clínica

Hemorragia grave por varfarina → Reversão imediata com PFC (10-20mL/kg) ou Complexo Protrombínico.

Resumo-Chave

Em emergências neurocirúrgicas com uso de varfarina, a prioridade é a reposição imediata de fatores de coagulação dependentes de vitamina K para normalizar o RNI.

Contexto Educacional

O manejo de pacientes anticoagulados com varfarina que apresentam sangramentos críticos exige uma abordagem bifásica: a reposição imediata de fatores de coagulação e a administração de vitamina K para sustentar a correção. A varfarina inibe a enzima epóxido redutase, impedindo a reciclagem da vitamina K e, consequentemente, a gama-carboxilação dos fatores II, VII, IX e X. Em situações de hemorragia subaracnóidea (HSA), o controle pressórico e a normalização da hemostasia são cruciais para evitar a expansão do hematoma e permitir a intervenção neurocirúrgica segura. O Plasma Fresco Congelado, embora eficaz, apresenta limitações como a necessidade de tipagem sanguínea, tempo de descongelamento e risco de sobrecarga volêmica, motivos pelos quais o Complexo Protrombínico é frequentemente preferido em diretrizes internacionais modernas.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de Plasma Fresco Congelado para reversão da varfarina?

A dose recomendada de Plasma Fresco Congelado (PFC) para a reversão urgente da anticoagulação por varfarina varia entre 10 a 20 mL/kg. O PFC fornece os fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX e X) que estão depletados pelo uso do fármaco. Embora o Complexo Protrombínico (CP) seja preferível por permitir uma reversão mais rápida com menor volume, na ausência deste, o PFC é a conduta padrão em cenários de urgência hemorrágica.

Por que a Vitamina K isolada não é recomendada em sangramentos ativos graves?

A Vitamina K (fitomenadiona) atua como cofator para a síntese hepática de novos fatores de coagulação. Esse processo biossintético demanda tempo, geralmente iniciando seu efeito em 2 a 6 horas e atingindo o pico em 12 a 24 horas. Em casos de hemorragia intracraniana ou necessidade de cirurgia imediata, o paciente não pode esperar por essa síntese, sendo obrigatória a reposição direta dos fatores já formados através de PFC ou Complexo Protrombínico.

Qual a via de administração preferencial da Vitamina K na urgência?

Na urgência, a Vitamina K deve ser administrada preferencialmente por via intravenosa (lenta). A via intramuscular deve ser evitada em pacientes anticoagulados devido ao risco de hematomas volumosos, e a via oral/sonda não garante a absorção rápida e previsível necessária em quadros críticos como a hemorragia subaracnóidea.

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