Choque Pós-RCE e TEP: Indicação de Fibrinólise com Alteplase

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Você está de plantão na Sala de Emergência e uma paciente de 36 anos sem comorbidades é trazida pela equipe de extra hospitalar após episódio de parada cardiocirculatória. Paciente foi assistida conforme protocolo do ACLS, não foi administrado choque pelo DEA e apresentou retorno à circulação espontânea após terceiro ciclo de reanimação cardiopulmonar. Durante a avaliação inicial, paciente encontra-se com PA 60x30 mmHg; FC 145bpm, extremidades frias e com livedo reticular. O restante do exame clínico não apresenta alterações. ECG com ausência de supradesnivelamento de ST. O POCUS realizado para investigação revela a seguinte imagem no paraesternal eixo curto: Qual dentre as medicações abaixo apresenta melhor indicação para essa paciente nesse momento?

Alternativas

  1. A) Ticagrelor.
  2. B) Naloxone.
  3. C) Alteplase.
  4. D) Soro fisiológico.
  5. E) Ácido acetilsalicílico.

Pérola Clínica

Choque pós-RCE + POCUS sugestivo de TEP → considerar fibrinolítico (Alteplase) para melhorar prognóstico.

Resumo-Chave

Em paciente com retorno à circulação espontânea (RCE) e choque persistente, se o POCUS ou outros achados clínicos sugerem fortemente tromboembolismo pulmonar maciço como causa da parada, a administração de fibrinolítico (Alteplase) pode ser indicada, mesmo na ausência de supradesnivelamento de ST, para reverter a obstrução pulmonar.

Contexto Educacional

O manejo pós-parada cardíaca é uma fase crítica que visa otimizar a perfusão orgânica, identificar e tratar a causa da parada, e prevenir novas lesões. O retorno à circulação espontânea (RCE) não significa o fim da emergência, pois muitos pacientes desenvolvem síndrome pós-parada cardíaca, que inclui disfunção miocárdica, lesão de isquemia-reperfusão cerebral e resposta inflamatória sistêmica. A avaliação inicial pós-RCE deve focar na estabilização hemodinâmica e respiratória, além da busca ativa pelas causas reversíveis da parada (os 'Hs e Ts'). O POCUS (Point-of-Care Ultrasound) é uma ferramenta valiosa nesse cenário, permitindo a rápida identificação de condições como tamponamento cardíaco, pneumotórax de tensão e disfunção ventricular direita, esta última altamente sugestiva de tromboembolismo pulmonar (TEP) maciço. No caso de choque persistente pós-RCE com forte suspeita de TEP maciço, a fibrinólise com alteplase pode ser uma intervenção salvadora, mesmo com os riscos de sangramento. A decisão deve ser individualizada, pesando os benefícios potenciais contra os riscos, especialmente em um paciente já instável. O tratamento visa restaurar o fluxo sanguíneo pulmonar e melhorar a hemodinâmica, sendo uma medida de último recurso em situações de risco de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas reversíveis de parada cardíaca (Hs e Ts)?

As causas reversíveis de parada cardíaca, conhecidas como 'Hs e Ts', incluem Hipovolemia, Hipóxia, H+ (acidose), Hipo/Hipercalemia, Hipotermia, Toxinas, Tamponamento cardíaco, Tensão pneumotórax, Trombose coronariana (IAM) e Trombose pulmonar (TEP). A busca ativa por essas causas é crucial no manejo pós-RCE.

Quando considerar TEP como causa de parada cardíaca?

TEP deve ser considerado em pacientes com parada cardíaca que apresentam atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia, especialmente se houver fatores de risco para TEP (ex: imobilização, cirurgia recente) e achados como dilatação de VD no POCUS. A ausência de supradesnivelamento de ST não exclui TEP.

Qual o papel da alteplase no choque pós-RCE por TEP?

A alteplase (fibrinolítico) é indicada em pacientes com choque pós-RCE onde há alta suspeita ou confirmação de tromboembolismo pulmonar maciço como causa da parada. Seu objetivo é dissolver o trombo, restaurar o fluxo sanguíneo pulmonar e melhorar a hemodinâmica, apesar do risco de sangramento.

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