Retopatia Actínica: Diagnóstico e Manejo do Sangramento Retal

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 72 anos vem ao seu consultório referindo episódios de sangramento ao evacuar, de moderada quantidade, sem dor. Diz também já ter evidenciado alguns episódios de sangramento fora das evacuações. Todavia, nega perda de peso, dificuldade para evacuar ou qualquer sintoma de instabilidade hemodinâmica durante tais ocorridos. Nos antecedentes pessoais, relata ter tratado adenocarcinoma da próstata há 6 anos somente com radioterapia e fazer uso de ácido acetil salicílico (AAS) conforme recomendação do cardiologista. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, eupneico, anictérico e descorado +/4+. Ausculta pulmonar e cardíaca normais. Abdômen sem alterações. Toque retal indolor e com pequena quantidade de sangue na ampola retal. Diante do caso apresentado, qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Angiectasias do ceco.
  2. B) Retopatia actínica.
  3. C) Colopatia isquêmica.
  4. D) Neoplasia obstrutiva do cólon sigmoide.
  5. E) Doença inflamatório intestinal.

Pérola Clínica

Sangramento retal indolor + histórico radioterapia pélvica → Retopatia actínica.

Resumo-Chave

A retopatia actínica é uma complicação comum e tardia da radioterapia pélvica, manifestando-se frequentemente como sangramento retal indolor. O uso de AAS pode exacerbar o sangramento devido ao efeito antiplaquetário.

Contexto Educacional

A retopatia actínica, ou proctite actínica, é uma complicação crônica e tardia da radioterapia pélvica, comum em pacientes que receberam tratamento para câncer de próstata, reto, colo do útero ou bexiga. Caracteriza-se por inflamação e fibrose da mucosa retal, levando a sintomas como sangramento retal indolor, tenesmo, urgência fecal e diarreia. O sangramento pode ser exacerbado por medicamentos como o AAS, que inibem a agregação plaquetária. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história de radioterapia pélvica e confirmado por exames endoscópicos, que revelam telangiectasias, friabilidade da mucosa e, em casos mais graves, úlceras. É crucial diferenciar de outras causas de sangramento digestivo baixo em idosos, como angiodisplasias, diverticulose ou neoplasias, embora a história de irradiação seja um forte indicativo. O manejo da retopatia actínica visa controlar os sintomas, principalmente o sangramento. As opções incluem tratamentos tópicos (enemas de sucralfato ou corticosteroides), terapia com plasma de argônio para coagular as telangiectasias sangrantes, ou, em casos refratários, formalina tópica. A compreensão dessa condição é vital para residentes, especialmente em gastroenterologia e proctologia, para um diagnóstico e tratamento eficazes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da retopatia actínica?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento retal indolor, tenesmo, diarreia, dor retal e urgência fecal, que podem surgir meses ou anos após a radioterapia.

Como é feito o diagnóstico da retopatia actínica?

O diagnóstico é baseado na história clínica de radioterapia pélvica e confirmado por retossigmoidoscopia ou colonoscopia, que revela alterações mucosas como telangiectasias, friabilidade e úlceras.

Qual o tratamento para o sangramento da retopatia actínica?

O tratamento varia de medidas conservadoras (enemas de sucralfato, corticosteroides) a terapias endoscópicas (coagulação com plasma de argônio) para controlar o sangramento.

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