Retocolite Ulcerativa Refratária: Quando Iniciar Terapia Biológica

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 29 anos, feminina, portadora de retocolite ulcerativa com queixa de diarreia, sangue, muco e perda de peso, em uso de mesalazina, doses baixas de corticoide e azatioprina e, mesmo com otimização das drogas mencionadas, não tem conseguido melhora clínica. Já teve 2 internações prévias por descompensação clínica. Atualmente, está com fortes dores abdominais, diarreia com frequência de 6 evacuações ao dia, muco nas fezes, náuseas e vômitos frequentes, dores articulares. Colonoscopia atual demonstra pancolite – (Mayo 2) com calprotectina fecal de 2 400 e PCR de 14,5.Diante deste caso, a melhor opção terapêutica é

Alternativas

  1. A) aumentar corticoide, manter demais drogas e associar metrotrexate.
  2. B) substituir mesalazina por sulfasalazina e aumentar azatioprina.
  3. C) devido à refratariedade da doença, iniciar uso de terapia biológica em mono e/ou em comboterapia inicialmente.
  4. D) retirar corticoides, retirar mesalazina e deixar ciclosporina em monoterapia.
  5. E) retirar todas as drogas e indicar cirurgia curativa de colectomia total com bolsa ileal (J- pouch).

Pérola Clínica

RCU refratária a terapia convencional com atividade inflamatória alta → iniciar terapia biológica.

Resumo-Chave

Pacientes com retocolite ulcerativa que não respondem à terapia otimizada com mesalazina, corticoides e imunossupressores (como azatioprina) e que apresentam marcadores inflamatórios elevados e atividade endoscópica significativa são candidatos à terapia biológica. A falha terapêutica indica a necessidade de escalonamento do tratamento para controlar a inflamação e prevenir complicações.

Contexto Educacional

A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o cólon e o reto, caracterizada por inflamação contínua da mucosa. Sua prevalência tem aumentado globalmente, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O manejo inicial geralmente envolve aminosalicilatos (como mesalazina), corticoides para indução de remissão e imunossupressores (como azatioprina) para manutenção. A fisiopatologia da RCU envolve uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. O diagnóstico é baseado em achados clínicos, endoscópicos e histopatológicos. A avaliação da atividade da doença é crucial e pode ser feita por índices clínicos (ex: Mayo score), endoscópicos e marcadores inflamatórios (calprotectina fecal, PCR). A persistência de sintomas e inflamação apesar da terapia otimizada define a refratariedade. Em casos de RCU refratária ou moderada a grave, a terapia biológica, que inclui agentes anti-TNF (como infliximabe, adalimumabe), anti-integrinas (vedolizumabe) e inibidores de JAK (tofacitinibe), representa a melhor opção terapêutica. Esses medicamentos modulam a resposta imune de forma mais específica, induzindo e mantendo a remissão, reduzindo a necessidade de corticoides e prevenindo cirurgias. A escolha do agente biológico depende de fatores como gravidade da doença, comorbidades e tratamentos prévios.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar a retocolite ulcerativa refratária?

A retocolite ulcerativa é considerada refratária quando há falha em atingir remissão clínica ou endoscópica apesar do uso otimizado de medicamentos convencionais, como mesalazina, corticosteroides e imunossupressores como azatioprina.

Por que a terapia biológica é a melhor opção neste caso?

A terapia biológica é indicada em casos de retocolite ulcerativa moderada a grave que não respondem à terapia convencional, pois atua em alvos específicos da cascata inflamatória, promovendo remissão e prevenindo complicações.

Qual o papel da calprotectina fecal e PCR na avaliação da atividade da RCU?

A calprotectina fecal e a PCR são marcadores inflamatórios não invasivos que refletem a atividade da doença inflamatória intestinal. Valores elevados indicam inflamação ativa e a necessidade de intensificação do tratamento.

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