Retocolite Ulcerativa: Indicações Cirúrgicas e Diagnóstico

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Em relação às doenças inflamatórias intestinais (DIIs), assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) São possíveis indicações de cirurgia em retocolite ulcerativa: múltiplas áreas de displasia plana, sangramento ou megacólon tóxico refratários ao tratamento clínico e falha de crescimento na criança.
  2. B) Na DII mais severa, com ulcerações envolvendo progressivamente maior extensão do lúmen intestinal, o acometimento descontínuo da mucosa favorece o diagnóstico de retocolite ulcerativa.
  3. C) É comum a apresentação de fístulas na retocolite ulcerativa de longa data.
  4. D) A azatioprina é uma boa opção de medicamento para induzir remissão por seu início de ação rápido, dentro dos primeiros dias de uso.

Pérola Clínica

RCU: Cirurgia indicada em megacólon refratário, displasia de alto grau ou falha de crescimento.

Resumo-Chave

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença mucosa contínua; suas complicações graves como megacólon tóxico e displasia são indicações clássicas para colectomia terapêutica.

Contexto Educacional

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) representam um desafio terapêutico crônico. A Retocolite Ulcerativa (RCU) caracteriza-se por inflamação superficial contínua. O manejo clínico envolve aminosalicilatos, corticoides, imunomoduladores e terapia biológica (anti-TNF, anti-integrinas). A cirurgia na RCU (proctocolectomia total com anastomose íleo-anal em bolsa) é considerada curativa para a doença intestinal, embora as manifestações extraintestinais possam persistir. A vigilância colonoscópica é fundamental devido ao risco aumentado de adenocarcinoma colorretal, especialmente em pacientes com pancolite de longa data (>8-10 anos), onde o achado de displasia plana multifocal é uma indicação formal de colectomia profilática.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações de cirurgia na RCU?

As indicações cirúrgicas na Retocolite Ulcerativa dividem-se em urgentes e eletivas. Nas urgências, destacam-se o megacólon tóxico refratário ao tratamento clínico (geralmente após 48-72h de corticoide venoso), hemorragia maciça e perfuração colônica. Nas indicações eletivas, as principais são a refratariedade ao tratamento clínico (intratabilidade), a presença de displasia de alto grau ou câncer colorretal detectado em rastreamento, e manifestações extraintestinais graves ou atraso no crescimento em crianças.

Como diferenciar RCU de Doença de Crohn na prática?

A RCU acomete exclusivamente o cólon, iniciando-se no reto e progredindo de forma contínua e ascendente, limitando-se à mucosa e submucosa. Já a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal (da boca ao ânus), tem acometimento transmural (o que predispõe a fístulas e estenoses) e apresenta lesões 'saltatórias' ou descontínuas, com áreas de mucosa sã entre as úlceras. O reto é frequentemente poupado no Crohn, ao contrário da RCU.

Qual o papel da azatioprina no tratamento das DIIs?

A azatioprina é um imunomodulador (tiopurina) utilizado principalmente para a manutenção da remissão tanto na RCU quanto no Crohn. Ela é considerada uma droga poupadora de corticoide. Um ponto crítico é que a azatioprina possui um início de ação lento, levando de 8 a 12 semanas (ou até mais) para atingir seu efeito terapêutico pleno. Portanto, ela nunca deve ser usada isoladamente para induzir remissão em quadros agudos, onde corticoides ou biológicos são preferidos.

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