CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021
Paciente do sexo feminino, 28 anos, é trazida por familiares para avaliação médica devido a quadro de diarreia com muco e sangue há 2 semanas, com piora progressiva, associada a tenesmo e cólica em Fossa Ilíaca Esquerda (FIE) e Flanco Esquerdo (FE) de leve intensidade que melhorava após a defecação. Nega vômitos e febre. Nega episódios anteriores. Encontrava-se bastante pálida e desidratada, taquicárdica, eupneica e normotensa. Seu abdome era plano, flácido, indolor à palpação. Toque retal discretamente doloroso, com sangue em dedo de luva, sem massas ou nodulações palpáveis. A paciente foi então internada para investigação. Ao hemograma: hemoglobina 9g/dl e hematócrito 28%. Foi submetida a colonoscopia que evidenciou reto e cólon sigmóide com mucosas circunferencialmente acometidas, bastante hiperemiadas e friáveis, contendo múltiplas úlceras rasas.Assinale a alternativa INCORRETA:
Retocolite Ulcerativa → acometimento contínuo, reto e cólon, úlceras rasas. Fístulas perianais são da Doença de Crohn.
A paciente apresenta quadro clínico e colonoscópico clássico de Retocolite Ulcerativa (RCU), que se caracteriza por inflamação contínua da mucosa do cólon, começando no reto. Fístulas perianais são uma complicação típica da Doença de Crohn, não da RCU, tornando a alternativa B incorreta.
A Doença Inflamatória Intestinal (DII) engloba a Retocolite Ulcerativa (RCU) e a Doença de Crohn (DC), condições crônicas que afetam o trato gastrointestinal. A RCU é caracterizada por inflamação contínua da mucosa e submucosa do cólon, sempre começando no reto e estendendo-se proximalmente. A apresentação clínica típica inclui diarreia com muco e sangue, tenesmo, cólicas abdominais e anemia, como visto no caso da paciente. O diagnóstico da RCU é feito pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (anemia, PCR elevada, calprotectina fecal) e endoscópicos com biópsia. A colonoscopia revela hiperemia, friabilidade e úlceras rasas, com acometimento contínuo. É crucial diferenciar a RCU da Doença de Crohn, pois o manejo e as complicações são distintas. Fístulas perianais complexas, por exemplo, são uma característica patognomônica da Doença de Crohn, não da Retocolite Ulcerativa. O tratamento da RCU visa induzir e manter a remissão, controlar os sintomas e prevenir complicações. A terapia inicial frequentemente inclui 5-aminossalicilatos (mesalazina) e corticosteroides para a fase aguda. Em casos de doença mais extensa ou refratária, imunomoduladores e agentes biológicos (como o Infliximabe) são indicados. A compreensão dessas distinções e opções terapêuticas é fundamental para o residente que lida com pacientes com DII.
Na colonoscopia, a Retocolite Ulcerativa se caracteriza por inflamação contínua da mucosa, que geralmente começa no reto e se estende proximalmente. Os achados incluem hiperemia, friabilidade, edema da mucosa, perda do padrão vascular e úlceras rasas. Pseudopólipos podem estar presentes em casos crônicos.
A RCU afeta apenas o cólon e reto, com inflamação contínua e limitada à mucosa e submucosa. A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, com inflamação segmentar ('skip lesions'), transmural, e pode apresentar fístulas, estenoses e granulomas não caseosos.
O tratamento inicial para RCU moderada geralmente envolve mesalazina (5-ASA) oral e/ou retal para indução e manutenção da remissão, combinada com corticosteroides (orais ou retais) para controlar a inflamação aguda. Em casos mais graves ou refratários, imunomoduladores ou biológicos (como Infliximabe) podem ser necessários.
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