HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem de 34 anos de idade, previamente hígido, comparece ao ambulatório com queixa de diarreia. Refere que, há seis meses, apresenta quadro de diarreia sanguinolenta com mais de 10 episódios por dia, sem outros produtos patológicos, associada a dor abdominal, tenesmo e febre intermitente. Nega outros sintomas. Ao exame físico, está hipocorado (2+/4+) e com dor à palpação abdominal difusamente. Os exames laboratoriais evidenciaram: hemoglobina 9,3g/dL (VR 13,5 - 17,5g/dL); plaquetas 300.000/mm³ (VR 150.000 - 400.000/mm³); leucócitos 9.500/mm³ (VR 4.000 - 11.000/mm³); creatinina 0,9mg/dL (VR 0,7 - 1,3mg/dL); ureia 42mg/dL (VR 10 - 50mg/dL); sódio 138mEq/L (VR 136 - 145mEq/L); potássio 4,2mEq/L (VR 3,5 - 5,1mEq/L); proteína C reativa 34mg/L (VR < 5mg/L) e velocidade de hemossedimentação de 64mm/h (VR < 15mm/h). A colonoscopia mostrou: - Ceco, cólons ascendente e transverso com haustrações preservadas. - Cólon, descendente, sigmoide, reto proximal, médio e distal com perda da visibilidade dos vasos submucosos e hiperemia, acometendo todas as paredes de forma contínua e perda de haustrações nestes segmentos. O exame anatomopatológico da biópsia de cólon sigmoide e reto proximal apresentou colite e retite crônicas, moderadamente ativas, com criptite e ausência de granulomas. Qual é o tratamento inicial e a hipótese diagnóstica mais adequada para o paciente?
Diarreia sanguinolenta + acometimento contínuo retossigmoide + criptite + ausência de granulomas → Retocolite Ulcerativa. Tratamento inicial: Mesalazina + Prednisona.
O quadro clínico (diarreia sanguinolenta, tenesmo, febre, anemia, PCR/VHS elevados) e os achados da colonoscopia (acometimento contínuo do cólon descendente, sigmoide e reto, com perda de haustrações e vasos submucosos) são altamente sugestivos de Retocolite Ulcerativa (RCU). A biópsia confirmando colite e retite crônicas ativas com criptite e, crucialmente, ausência de granulomas, reforça o diagnóstico de RCU em detrimento da Doença de Crohn. O tratamento inicial para RCU moderada a grave inclui mesalazina (aminossalicilato) e corticosteroides (prednisona).
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), que incluem a Retocolite Ulcerativa (RCU) e a Doença de Crohn (DC), são condições crônicas caracterizadas por inflamação do trato gastrointestinal. A RCU é uma doença inflamatória crônica que afeta primariamente o cólon e o reto, com inflamação contínua da mucosa e submucosa. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e disfunção imunológica. O diagnóstico de RCU é baseado na combinação de achados clínicos, endoscópicos, histopatológicos e laboratoriais. Clinicamente, a diarreia sanguinolenta, tenesmo, dor abdominal e perda ponderal são sintomas comuns. Laboratorialmente, marcadores inflamatórios como PCR e VHS estão frequentemente elevados, e a anemia é comum devido ao sangramento crônico. A colonoscopia com biópsias é essencial para o diagnóstico, mostrando inflamação contínua, perda do padrão vascular e, histologicamente, criptite e ausência de granulomas. O tratamento da RCU visa induzir e manter a remissão. Para casos moderados a graves, como o descrito, a terapia inicial combina aminossalicilatos (como a mesalazina, que atua localmente na mucosa) com corticosteroides sistêmicos (como a prednisona, para um efeito anti-inflamatório mais potente e rápido). A mesalazina pode ser administrada por via oral e retal para maximizar a cobertura. Imunomoduladores (azatioprina, 6-mercaptopurina) ou biológicos são considerados para manutenção ou em casos refratários.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) afeta apenas o cólon e reto de forma contínua, com inflamação superficial da mucosa e ausência de granulomas. A Doença de Crohn (DC) pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal de forma segmentar, com inflamação transmural e presença de granulomas não caseosos.
A mesalazina (5-aminossalicilato) é a medicação de primeira linha para indução e manutenção da remissão em casos leves a moderados de Retocolite Ulcerativa. Ela atua topicamente na mucosa intestinal, reduzindo a inflamação.
Corticosteroides como a prednisona são indicados para induzir a remissão em casos de Retocolite Ulcerativa moderada a grave, ou em pacientes que não respondem aos aminossalicilatos. Eles têm potente efeito anti-inflamatório, mas não são usados para manutenção devido aos efeitos colaterais.
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