CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 32 anos, portador de Retocolite Ulcerativa procura atendimento médico por dor abdominal. Teve o diagnóstico fechado após crises de diarreia sanguinolenta, sendo submetido a colonoscopia na época. Desde então vem sendo tratado por aminossalicilatos orais, porém refere uso irregular da medicação. A crise atual iniciou há 3 dias, com cólica abdominal difusa progressiva associada a quadro de diarreia com sangue. Evoluiu com piora do estado geral, iniciando febre diária, piora da frequência e volume sanguinolento da diarreia (cerca de 10 episódios ao dia), anorexia e queda do estado geral. Ao exame físico, encontra-se em REG, pálido, taquicárdico, levemente dispneico e normotenso. Seu abdome é algo distendido, doloroso à palpação profunda difusamente, sem irritação peritoneal. Sua investigação laboratorial evidenciou Leucograma: 16.000, Hb: 9g/dl, Proteína C reativa: 68mg/dl e VHS: 75mm/h. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Crise grave de RCU refratária a corticoides → considerar ciclosporina ou infliximabe para evitar cirurgia.
Pacientes com crise grave de Retocolite Ulcerativa que não respondem à corticoterapia intravenosa em 3-5 dias devem ser considerados para terapia de resgate com ciclosporina ou infliximabe, visando evitar a colectomia de urgência e suas complicações.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o cólon e o reto. As crises agudas graves representam um desafio clínico e podem levar a complicações sérias, como megacólon tóxico e perfuração intestinal, exigindo intervenção cirúrgica de urgência. O paciente do caso apresenta critérios de gravidade (diarreia sanguinolenta frequente, febre, taquicardia, anemia, PCR e VHS elevados). O manejo inicial da crise grave de RCU envolve internação, suporte hidroeletrolítico e corticoterapia intravenosa. Se o paciente não apresentar melhora significativa em 3-5 dias com corticoides, é considerada uma crise refratária, e terapias de resgate devem ser iniciadas para evitar a colectomia. As opções de terapia de resgate incluem ciclosporina intravenosa ou infliximabe (anti-TNF). Ambas as drogas podem induzir remissão e evitar a cirurgia em uma parcela significativa dos pacientes. É um erro comum usar opioides e loperamida em crises graves de RCU, pois podem precipitar ou agravar o megacólon tóxico. O enema opaco baritado é contraindicado na suspeita de megacólon tóxico ou colite grave devido ao risco de perfuração. O risco de sepse não contraindica o uso de corticoides, que são a base do tratamento inicial, embora exijam monitoramento para infecções.
Os critérios de Truelove e Witts incluem mais de 6 evacuações sanguinolentas por dia, febre (>37,8°C), taquicardia (>90 bpm), anemia (Hb <10,5 g/dL) e VHS elevada (>30 mm/h).
O tratamento inicial consiste em internação hospitalar, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e corticoterapia intravenosa (ex: metilprednisolona).
A colectomia de urgência é indicada em casos de falha da terapia de resgate, megacólon tóxico com sinais de perfuração ou sepse, hemorragia maciça ou perfuração intestinal.
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