USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 28 anos de idade, portador de retocolite ulcerativa (pancolite) há 10 meses, em uso adequado de sulfassalazina 2 g/d e azatioprina 100 mg/dia. Apresenta quadro de diarreia sanguinolenta cerca de 10 vezes ao dia há uma semana. Ao exame clínico, apresentou PA de 100x70 mmHg; FC de 96 bpm; descorado ++/4+. Auscultas respiratória e cardíaca normais. Abdome globoso, doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda, ruídos hidroaéreos presentes. Exames laboratoriais: Hb: 8,9 g/dL; Leucócitos: 7000/mm³; Plaquetas: 220.000/mm³ Proteína C reativa: 88 mg/dL. A conduta mais adequada é:
RCU grave (Truelove-Witts) → Internação + Metilprednisolona IV + Profilaxia TVP.
Pacientes com pancolite e sinais sistêmicos (anemia, PCR elevada, taquicardia) apresentam crise grave, exigindo corticoterapia sistêmica intravenosa imediata.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória crônica que afeta a mucosa retocólica. A gravidade da exacerbação dita a conduta: casos leves a moderados podem ser manejados ambulatorialmente com derivados de 5-ASA ou corticoides orais, mas casos graves exigem hospitalização. A avaliação inicial deve descartar infecções oportunistas, como CMV e C. difficile. O tratamento de primeira linha para a crise grave é a corticoterapia intravenosa. A falha em responder em 3 a 5 dias (critérios de Oxford) indica a necessidade de terapia de resgate com Infliximabe ou Ciclosporina, ou intervenção cirúrgica (colectomia de urgência). A profilaxia para tromboembolismo venoso é mandatória em todos os pacientes internados com DII ativa.
Os critérios incluem mais de 6 evacuações sanguinolentas por dia associadas a pelo menos um sinal de toxicidade sistêmica: frequência cardíaca > 90 bpm, temperatura > 37,8°C, hemoglobina < 10,5 g/dL ou VHS > 30 mm/h (ou PCR elevada). No caso clínico, o paciente apresenta diarreia intensa, anemia e PCR muito alta, classificando-o como grave.
Na crise grave de RCU, a absorção intestinal está severamente comprometida devido ao processo inflamatório intenso e ao aumento do trânsito. A via intravenosa (Metilprednisolona ou Hidrocortisona) garante biodisponibilidade imediata e eficácia superior para indução de remissão hospitalar.
Embora controversa como rotina, a antibioticoterapia empírica é frequentemente associada em crises graves com sinais de toxicidade sistêmica para prevenir translocação bacteriana ou tratar infecções secundárias concomitantes enquanto se aguarda culturas e pesquisa de Clostridioides difficile.
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