SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020
Paciente de 30 anos, do sexo masculino, portador de retocolite ulcerativa, em tratamento com mesalazina oral na dose de 4,8 g/dia, mantendo crises de diarreia sanguinolenta e cólicas abdominais, níveis de PCR elevados e colonoscopia evidenciando retocolite Mayo 2. Nos últimos meses, fez uso de prednisona por curtos períodos, trazendo benefícios satisfatórios. Neste caso, seria adequado
Retocolite ulcerativa ativa (Mayo 2) refratária à mesalazina e corticodependente → iniciar tiopurinas.
Paciente com retocolite ulcerativa em atividade moderada (Mayo 2) apesar do tratamento com mesalazina e com dependência de corticoides, indica falha terapêutica. A necessidade de escalonamento para imunomoduladores como as tiopurinas é crucial para induzir e manter a remissão, além de poupar corticoides.
A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o cólon e o reto, caracterizada por inflamação contínua da mucosa. A apresentação clínica inclui diarreia sanguinolenta, cólicas abdominais e tenesmo. A avaliação da atividade da doença pode ser feita por escores clínicos (ex: Mayo score), marcadores inflamatórios (PCR, calprotectina fecal) e endoscopia. O tratamento da RCU depende da extensão e gravidade da doença. A mesalazina (5-ASA) é a terapia de primeira linha para doença leve a moderada. Em casos de atividade moderada a grave, ou quando há falha à mesalazina e corticodependência (como no caso descrito), é necessário escalonar a terapia. Os corticoides são usados para induzir remissão em crises agudas, mas não para manutenção devido aos efeitos colaterais. Nesse cenário, a introdução de imunomoduladores como as tiopurinas (azatioprina ou mercaptopurina) é a conduta adequada. As tiopurinas atuam modulando a resposta imune, induzindo e mantendo a remissão, e são consideradas poupadoras de corticoides. Seu início de ação é mais lento, geralmente levando semanas a meses para atingir o efeito terapêutico máximo, mas são eficazes na prevenção de recidivas e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.
O escalonamento é indicado quando há falha no tratamento inicial (como mesalazina), persistência da atividade da doença (evidenciada por sintomas, PCR elevado, colonoscopia) ou corticodependência/corticorefratariedade, sugerindo uma doença mais agressiva.
As tiopurinas (azatioprina, mercaptopurina) são imunomoduladores que induzem e mantêm a remissão na retocolite ulcerativa, permitindo a redução ou retirada dos corticoides e prevenindo recidivas. Seu efeito é mais lento, mas duradouro e fundamental para o controle a longo prazo.
Os corticoides são eficazes para induzir remissão em crises agudas, mas não devem ser usados como manutenção devido aos seus múltiplos efeitos adversos sistêmicos a longo prazo, como osteoporose, diabetes e hipertensão. O objetivo é usar terapias que permitam a retirada dos corticoides.
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