Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Adolescente de 13 anos apresenta dor abdominal crônica, diarreia sanguinolenta, emagrecimento e atraso puberal. Colonoscopia: mucosa eritematosa, friável, contínua do reto até cólon transverso. Qual é o diagnóstico mais provável?
RCU = Acometimento contínuo + Reto sempre envolvido + Mucosa friável.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) caracteriza-se por inflamação superficial e contínua da mucosa colônica, iniciando-se invariavelmente no reto e progredindo proximalmente, manifestando-se com diarreia sanguinolenta.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal idiopática que resulta de uma resposta imune desregulada à microbiota intestinal em indivíduos geneticamente predispostos. Na pediatria, a apresentação costuma ser mais extensa (pancolite) do que em adultos. O quadro clínico clássico envolve urgência fecal, tenesmo e hematoquezia. O diagnóstico requer a correlação entre clínica, exames laboratoriais (calprotectina fecal elevada, anemia, marcadores inflamatórios) e, fundamentalmente, a colonoscopia com biópsias seriadas. O tratamento visa a indução e manutenção da remissão, utilizando aminossalicilatos, imunomoduladores ou terapia biológica, dependendo da gravidade e extensão da doença.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) afeta apenas o cólon e o reto, com inflamação restrita à mucosa e submucosa, de forma contínua e ascendente a partir do reto. Já a Doença de Crohn pode afetar qualquer segmento do trato digestivo (da boca ao ânus), é transmural (atinge todas as camadas da parede), apresenta lesões salteadas e frequentemente causa fístulas ou estenoses. Na biópsia, o granuloma não caseificante é patognomônico de Crohn, enquanto a RCU mostra abscessos de cripta.
O atraso puberal e o déficit de crescimento são comuns em adolescentes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), especialmente na Doença de Crohn, mas também na RCU grave. Isso ocorre devido ao estado inflamatório sistêmico crônico (citocinas como TNF-alfa), má absorção de nutrientes, perda proteica intestinal e, muitas vezes, pelo uso prolongado de corticosteroides no tratamento, que suprimem o eixo GH-IGF1.
Na colonoscopia, a RCU apresenta-se como uma mucosa eritematosa, granular e friável (sangra ao toque do aparelho). O envolvimento é contínuo e circunferencial, sem áreas de mucosa sã entre as áreas inflamadas. Inicia-se no reto (proctite) e pode se estender até o ceco (pancolite). Diferente do Crohn, não há úlceras profundas em 'pedra de calçamento' ou envolvimento do íleo terminal (exceto na 'backwash ileitis').
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