UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Mulher, 63 anos, aparentemente saudável até cinco meses atrás, quando iniciou quadro de diarreia com cerca de 4 evacuações diárias, hematoquezias em moderada quantidade, sem associação a esforços ao evacuar e sem outras queixas, nomeadamente proctalgia, mucorreia e sem evidência clínica de manifestações extra intestinais. Nos antecedentes pessoais, não havia dados relevantes a registar, com a exceção da doente ter abandonado os hábitos tabágicos, de cerca de 20 cigarros por dia, dois anos antes. Antecedentes familiares negativos para doença inflamatória intestinal e/ou carcinoma colorretal. Dois meses após o início dos sintomas, realizou colonoscopia total que revelou aspectos endoscópicos sugestivos de proctite ulcerosa (Mayo endoscópico 2). O exame histológico mostra fragmentos de mucosa do intestino distal ulcerado, com ligeira distorção arquitetural e moderado infiltrado linfocitário, sem displasia. Estas alterações são mais marcadas no reto e sigmoide distal, estando, contudo, também presentes noutros segmentos do cólon. Com base na classificação de MONTREAL, é correto afirmar que se trata de uma:
RCU: Classificação de Montreal define extensão da doença (E1=reto, E2=cólon esquerdo, E3=pancolite).
A classificação de Montreal para retocolite ulcerativa é crucial para determinar a extensão da doença e guiar o tratamento. Proctite (E1) é limitada ao reto, colite esquerda (E2) vai até a flexura esplênica, e pancolite (E3) ultrapassa a flexura esplênica.
A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o cólon e o reto, caracterizada por inflamação contínua da mucosa. Sua prevalência tem aumentado globalmente, sendo mais comum em países desenvolvidos. A correta classificação da extensão da doença é um pilar fundamental para o manejo clínico, influenciando decisões terapêuticas e estratégias de vigilância. A classificação de Montreal é o sistema mais utilizado para determinar a extensão da RCU, dividindo-a em três categorias principais: E1 (proctite ulcerativa), onde a inflamação está limitada ao reto; E2 (colite esquerda), com envolvimento que se estende proximalmente ao reto, mas não além da flexura esplênica; e E3 (pancolite), que afeta o cólon proximal à flexura esplênica, podendo envolver todo o cólon. Essa classificação é baseada em achados endoscópicos e histopatológicos. O tratamento da RCU varia conforme a extensão e a gravidade da doença. Para proctite e colite esquerda, medicamentos tópicos (supositórios, enemas) e orais (aminossalicilatos) são frequentemente utilizados. Em casos de pancolite ou doença mais grave, imunossupressores e terapias biológicas podem ser necessários. A vigilância para displasia e câncer colorretal é crucial, especialmente em pacientes com doença de longa data e extensa.
A classificação de Montreal divide a retocolite ulcerativa pela extensão: E1 (proctite, limitada ao reto), E2 (colite esquerda, até a flexura esplênica) e E3 (pancolite, além da flexura esplênica).
A classificação de Montreal é fundamental para determinar a gravidade e a extensão da doença, o que influencia diretamente a escolha do tratamento e o prognóstico do paciente.
O escore de Mayo endoscópico avalia a atividade inflamatória da doença em um determinado segmento, enquanto a classificação de Montreal define a extensão anatômica do acometimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo