RCU Grave Refratária: Indicação e Tipo de Cirurgia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 43 anos com história de retocolite ulcerativa (RCU) desde 13 anos de idade apresenta, na evolução de sua doença, sangramento retal importante, perda de peso, febre alta, dor abdominal intensa, sensibilidade exacerbada, taquicardia, leucocitose e história de outras internações decorrentes de complicações desta doença. Uma colonoscopia revela inflamação grave e ulceração no reto e no cólon sigmoide. A equipe médica indicou hospitalização com hidratação intravenosa, descompressão nasogástrica, esteroides intravenosos com doses elevadas e antibióticos de amplo espectro; a despeito das condutas terapêuticas tomadas, o paciente não apresentou melhora do quadro, no decorrer da internação; ao contrário, apresentou piora do estado clínico. Qual a opção terapêutica mais adequada nesta situação?

Alternativas

  1. A) Cirurgia de Paul-Mikulicz.
  2. B) Jejunostomia de descompressão.
  3. C) Proctocolectomia total com ileostomia.
  4. D) Hemicolectomia esquerda.
  5. E) Microcirurgia endoscópica transanal (TEM).

Pérola Clínica

RCU grave refratária à terapia médica intensiva → Proctocolectomia total com ileostomia é a conduta salvadora.

Resumo-Chave

Em casos de retocolite ulcerativa grave que não respondem à terapia médica máxima (esteroides, antibióticos) e com piora clínica, a proctocolectomia total com ileostomia é a cirurgia de urgência indicada. Essa intervenção remove o cólon e reto doentes, eliminando a fonte da inflamação e prevenindo complicações fatais como megacólon tóxico ou perfuração.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o reto e, de forma contínua, uma porção variável do cólon. Em sua forma grave, a RCU pode apresentar-se com sintomas sistêmicos e sinais de toxicidade, como febre, taquicardia, leucocitose, dor abdominal intensa e sangramento retal profuso. Nesses casos, a conduta inicial é a hospitalização e terapia médica intensiva, que geralmente inclui hidratação intravenosa, esteroides em altas doses e antibióticos de amplo espectro para prevenir ou tratar infecções secundárias e megacólon tóxico. No entanto, uma parcela dos pacientes com RCU grave não responde à terapia médica máxima, caracterizando a doença como refratária. A falha em obter melhora clínica significativa dentro de 24 a 72 horas de tratamento intensivo, ou a piora do quadro clínico, indica a necessidade de intervenção cirúrgica de urgência. A persistência da inflamação grave e ulceração, associada a sinais de toxicidade, aumenta o risco de complicações fatais, como megacólon tóxico (dilatação colônica aguda com risco de perfuração) e perfuração intestinal. Nessa situação de RCU grave e refratária, a opção terapêutica mais adequada e salvadora é a proctocolectomia total com ileostomia. Este procedimento cirúrgico remove todo o cólon e o reto, eliminando a doença e a fonte da inflamação. A ileostomia é criada para desviar o fluxo fecal, permitindo a cicatrização e recuperação do paciente. Embora seja uma cirurgia de grande porte, é essencial para evitar a progressão para complicações que podem ser fatais, sendo a escolha correta quando o tratamento clínico falha.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de RCU grave refratária?

Sinais incluem sangramento retal importante, perda de peso, febre alta, dor abdominal intensa, taquicardia, leucocitose e ausência de melhora após terapia médica intensiva com esteroides e antibióticos.

Por que a proctocolectomia total com ileostomia é a melhor opção?

É a melhor opção porque remove completamente o cólon e reto doentes, eliminando a fonte da inflamação e prevenindo complicações fatais como megacólon tóxico, perfuração ou hemorragia incontrolável, quando o tratamento clínico falha.

Quais as complicações da RCU grave não tratada cirurgicamente?

As complicações incluem megacólon tóxico, perfuração intestinal, hemorragia maciça, sepse e aumento do risco de mortalidade.

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