Retocolite Ulcerativa: Diagnóstico e Classificação de Montreal

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 29 anos, previamente hígida, procura o serviço de pronto-atendimento com história de diarreia crônica há cerca de 6 meses. Relata que as fezes apresentam consistência pastosa, com presença frequente de muco e sangue vivo. Nas últimas semanas, o quadro evoluiu com aumento da frequência evacuatória para 7 a 8 episódios por dia, incluindo episódios noturnos, além de urgência fecal e tenesmo. Queixa-se também de dor abdominal em cólica, localizada principalmente no quadrante inferior esquerdo, e perda de peso não intencional de 5 kg no período. Ao exame físico, encontra-se desidratada (1+/4+), hipocorada (2+/4+), com frequência cardíaca de 102 bpm e temperatura axilar de 37,8 °C. O abdome é doloroso à palpação profunda em flanco e fossa ilíaca esquerda, sem massas ou sinais de peritonite. Exames laboratoriais mostram Hemoglobina de 10,2 g/dL, Leucócitos de 12.800/mm³, Proteína C Reativa de 62 mg/L (valor de referência até 5 mg/L) e Albumina de 3,2 g/dL. Uma colonoscopia foi realizada, revelando inflamação difusa, contínua e simétrica da mucosa, iniciando-se na linha pectínea do reto e estendendo-se proximalmente até o ceco. Observou-se perda total do padrão vascular, friabilidade da mucosa ao contato com o aparelho e múltiplas ulcerações superficiais, sem áreas de mucosa sã interpostas. O diagnóstico mais provável e a classificação de extensão da doença, de acordo com os critérios de Montreal, são:

Alternativas

  1. A) Colite Pseudomembranosa secundária à infecção por Clostridioides difficile.
  2. B) Retocolite Ulcerativa com extensão distal e classificação de Montreal E2.
  3. C) Doença de Crohn com fenótipo inflamatório e classificação de Montreal L3.
  4. D) Retocolite Ulcerativa com extensão de pancolite e classificação de Montreal E3.

Pérola Clínica

RCU = Acometimento contínuo, ascendente, mucoso, iniciando obrigatoriamente no reto.

Resumo-Chave

A Retocolite Ulcerativa (RCU) caracteriza-se por inflamação restrita à mucosa, contínua e simétrica. A classificação de Montreal E3 (pancolite) define o acometimento que ultrapassa a flexura esplênica.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal idiopática que afeta primariamente a mucosa do cólon. O quadro clínico de diarreia crônica sanguinolenta, tenesmo e urgência fecal é clássico. A gravidade é avaliada por critérios clínicos (como os de Truelove e Witts) e laboratoriais (anemia, PCR elevada, hipoalbuminemia), enquanto a extensão é padronizada pela Classificação de Montreal (E1: proctite; E2: colite esquerda; E3: pancolite). No caso apresentado, a paciente apresenta sinais de atividade inflamatória sistêmica importante (febre, taquicardia, anemia e PCR elevada) e a colonoscopia demonstra um padrão de pancolite (E3). O manejo inicial envolve a estabilização clínica e a indução da remissão, geralmente com corticoides sistêmicos ou terapia biológica, dependendo da gravidade do surto.

Perguntas Frequentes

O que define a Classificação de Montreal E3?

A classificação de Montreal E3, também conhecida como pancolite, é definida quando a inflamação da mucosa se estende proximalmente além da flexura esplênica, podendo atingir até o ceco. É a forma mais extensa da Retocolite Ulcerativa, associada a um maior risco de complicações a longo prazo, como o câncer colorretal, exigindo vigilância colonoscópica mais rigorosa.

Quais os achados colonoscópicos típicos da RCU?

Os achados clássicos incluem inflamação difusa, contínua e simétrica que começa no reto e progride proximalmente. Observa-se perda do padrão vascular submucoso, friabilidade da mucosa ao toque do aparelho, edema, granularidade e, em casos mais graves, ulcerações superficiais e pseudopólipos inflamatórios, sem áreas de mucosa preservada entre as regiões afetadas.

Como diferenciar RCU de Doença de Crohn na endoscopia?

A RCU é caracterizada por acometimento contínuo e restrito à mucosa, sempre envolvendo o reto. Já a Doença de Crohn apresenta lesões salteadas (áreas de mucosa sã entre lesões), pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal (frequentemente o íleo terminal), possui caráter transmural e pode apresentar úlceras profundas ou aspecto em 'pedras de calçamento'.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo