MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 28 anos procura atendimento médico relatando um quadro de diarreia com presença de muco e sangue há cerca de 4 meses. Ele refere que evacua aproximadamente 6 vezes ao dia e sente uma necessidade súbita de ir ao banheiro, muitas vezes acompanhada de uma sensação de evacuação incompleta e dor retal. Ao exame físico, o paciente apresenta-se hipocorado (1+/4+), com abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes e dor leve à palpação profunda em flanco e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais iniciais demonstram hemoglobina de 11,0 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) de 78 fL, leucócitos de 11.500/mm³ e Proteína C Reativa (PCR) de 38 mg/L (valor de referência: até 5 mg/L). Diante desse quadro clínico e laboratorial, qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Diarreia sanguinolenta crônica + tenesmo + acometimento distal (reto/sigmoide) = Retocolite Ulcerativa.
A Retocolite Ulcerativa caracteriza-se por inflamação contínua da mucosa, iniciando no reto e progredindo proximalmente, manifestando-se clinicamente por urgência, tenesmo e sangramento retal persistente.
A Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal idiopática que cursa com períodos de remissão e exacerbação. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada à microbiota intestinal em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico de 4 meses com muco, sangue, urgência e tenesmo é altamente sugestivo de proctosigmoidite ulcerativa. O tratamento visa induzir e manter a remissão, utilizando desde derivados do 5-ASA (mesalazina) até imunomoduladores e biológicos, dependendo da gravidade e extensão da doença.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) afeta exclusivamente a mucosa do cólon e do reto de forma contínua e ascendente, sempre envolvendo o reto. Já a Doença de Crohn (DC) pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal (da boca ao ânus), apresenta lesões 'salteadas' (áreas sadias entre áreas doentes) e é transmural (afeta todas as camadas da parede intestinal), podendo causar fístulas e estenoses. Clinicamente, a RCU cursa mais frequentemente com hematoquezia e tenesmo, enquanto a DC pode apresentar dor abdominal mais intensa e massas palpáveis.
O diagnóstico baseia-se na combinação da história clínica, exames laboratoriais (marcadores inflamatórios como PCR e calprotectina fecal), e é confirmado pela colonoscopia com biópsia. Os achados endoscópicos típicos incluem eritema difuso, perda do padrão vascular, granularidade da mucosa, friabilidade ao toque do aparelho e, em casos mais graves, ulcerações. A histopatologia revela inflamação restrita à mucosa e submucosa, com distorção de criptas e abscessos de cripta.
Em um paciente com diarreia crônica, a presença de anemia microcítica (VCM baixo) sugere perda sanguínea crônica pelo trato gastrointestinal, comum nas doenças inflamatórias intestinais (DII). A elevação da Proteína C Reativa (PCR) indica um processo inflamatório sistêmico ativo. Esses achados são fundamentais para diferenciar uma doença orgânica (como a RCU) de uma doença funcional (como a Síndrome do Intestino Irritável), onde os exames laboratoriais costumam ser normais.
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