Retocolite Ulcerativa: Sinais e Diagnóstico Clínico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 29 anos procura atendimento na emergência com quadro agudo de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, com irradiação para mesogástrio. Apresenta diarreia e náusea, nega ter tido febre. A paciente refere episódios de urgência fecal, com presença de muco e de sangue, e refere ter perdido 10% do peso corporal nos últimos 12 meses. Ela é tabagista ativa, nega etilismo e apresenta índice de massa corporal de 22 kg/m². Ao exame físico, apresenta dor abdominal à palpação em todo abdome inferior, sem defesa muscular ou escompressão brusca positiva.Com base nessas informações, é correto afirmar que o diagnóstico mais provável para o caso clínico apresentado é

Alternativas

  1. A) tumor de retossigmoide.
  2. B) retocolite ulcerativa.
  3. C) diverticulite aguda.
  4. D) colite isquêmica.

Pérola Clínica

Dor abdominal FIE + diarreia com muco/sangue + urgência fecal + perda de peso + tabagismo → Retocolite Ulcerativa.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, diarreia com muco e sangue, urgência fecal e perda de peso, em uma paciente tabagista, é altamente sugestivo de Retocolite Ulcerativa. O tabagismo, ao contrário da Doença de Crohn, é um fator protetor ou não associado à Retocolite Ulcerativa, mas a questão descreve a paciente como tabagista ativa, o que pode ser um distrator ou um fator de piora em alguns casos. No entanto, os sintomas são clássicos de RCU.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o reto e se estende proximalmente de forma contínua pelo cólon, caracterizada por inflamação da mucosa e submucosa. É uma condição de grande importância clínica devido à sua natureza crônica, impacto na qualidade de vida e risco de complicações, incluindo megacólon tóxico e câncer colorretal. A fisiopatologia da RCU envolve uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. Os sintomas clássicos incluem diarreia com sangue e muco, urgência fecal, tenesmo, dor abdominal (frequentemente em fossa ilíaca esquerda) e perda de peso. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados clínicos, endoscópicos (colonoscopia com retossigmoidoscopia) e histopatológicos. O tratamento da RCU visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui medicamentos como aminosalicilatos (5-ASA), corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. Em casos refratários ou com complicações graves, a colectomia pode ser necessária. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a atividade da doença e rastrear displasia.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças clínicas entre Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn?

A Retocolite Ulcerativa (RCU) geralmente afeta o reto e se estende de forma contínua para o cólon, com inflamação superficial da mucosa. A Doença de Crohn (DC) pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal de forma segmentar ('salteada'), com inflamação transmural e formação de fístulas ou estenoses. A diarreia sanguinolenta é mais comum na RCU.

Qual o papel do tabagismo na Retocolite Ulcerativa?

Curiosamente, o tabagismo é considerado um fator protetor para a Retocolite Ulcerativa, e parar de fumar pode, em alguns casos, exacerbar a doença. Isso contrasta com a Doença de Crohn, onde o tabagismo é um fator de risco e piora o curso da doença.

Quais exames complementares são utilizados para confirmar o diagnóstico de Retocolite Ulcerativa?

O diagnóstico de Retocolite Ulcerativa é confirmado por colonoscopia com biópsias, que mostram inflamação contínua da mucosa, criptite e abscessos de cripta. Exames laboratoriais (PCR, VHS, calprotectina fecal) podem indicar atividade inflamatória, e exames de imagem (TC ou RM de abdome) podem avaliar a extensão da doença e complicações.

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