Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Homem de 72 anos apresentou diarreia com episódios de hematoquezia e dor abdominal por 2 meses. É portador de DM-2, HAS e osteoartrose, e faz uso diário de ibuprofeno para a dor nos joelhos. Realizou colonoscopia que revelou áreas de mucosa eritematosa e friável, com ulcerações superficiais na flexura esplênica e transição retossigmoideana do cólon; o restante da mucosa colônica (incluindo os cólons ascendente, flexura hepática, transverso e descendente), reto e íleo distal apresentou-se normal. O resultado da biópsia ainda não está disponível. Assinale a alternativa que apresenta um diagnóstico diferencial INCORRETO para esse paciente:
Colite com lesões segmentares e reto poupado + uso AINEs → RCU é diagnóstico INCORRETO.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) tipicamente apresenta inflamação contínua que começa no reto e se estende proximalmente, sem áreas de mucosa poupada. O padrão de lesões segmentares, com reto e íleo distal normais, e o histórico de uso de AINEs, tornam a RCU um diagnóstico diferencial improvável, favorecendo colite isquêmica ou por AINEs.
O diagnóstico diferencial das colites é um desafio clínico, especialmente quando os achados colonoscópicos e histopatológicos ainda não são definitivos. A apresentação de diarreia com hematoquezia e dor abdominal em um paciente idoso com comorbidades e uso crônico de AINEs sugere diversas etiologias. As lesões segmentares na flexura esplênica e transição retossigmoideana, com o restante da mucosa colônica e o reto normais, são achados-chave para a diferenciação. A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal que se caracteriza por inflamação contínua da mucosa, sempre começando no reto e estendendo-se proximalmente. A presença de áreas de mucosa poupada (inflamação segmentar) e o reto normal são características que afastam o diagnóstico de RCU. Em contraste, a Doença de Crohn pode apresentar lesões segmentares ('skip lesions') e afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, mas geralmente com inflamação transmural e lesões mais profundas. A colite isquêmica é uma forte hipótese em idosos com fatores de risco cardiovascular (DM, HAS) e pode afetar áreas de baixa perfusão como a flexura esplênica. A colite por AINEs também é um diagnóstico relevante, dado o uso crônico de ibuprofeno, que pode causar lesões mucosas e inflamação. Portanto, a RCU é o diagnóstico diferencial menos provável neste cenário clínico e colonoscópico.
A RCU é caracterizada por inflamação contínua que sempre envolve o reto e se estende proximalmente, sem áreas de mucosa poupada. As lesões são superficiais, com pseudopólipos e perda do padrão vascular.
Em idosos com comorbidades (DM, HAS) e uso de AINEs, a colite isquêmica é comum, especialmente em áreas de 'watershed' como a flexura esplênica e a transição retossigmoideana, que são vulneráveis à hipoperfusão. Os sintomas e achados colonoscópicos são compatíveis.
Os AINEs podem causar colite por diversos mecanismos, incluindo dano direto à mucosa, aumento da permeabilidade intestinal e alteração da microbiota. Isso pode levar a inflamação, ulcerações e sangramento, especialmente em pacientes com uso crônico.
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