Retocolite Ulcerativa: Diagnóstico e Abordagem em Jovens

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021

Enunciado

Estudante universitária, 23 anos de idade, há vários meses vem apresentando crises de diarreia com muco e sangue associadas a dores abdominais e artralgias que melhoram com o uso de antibióticos e antiparasitários. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o diagnóstico e a conduta para esse caso

Alternativas

  1. A) Colite amebiana, devendo ser realizado exame parasitológico de fezes colhidas nos episódios de diarreia.
  2. B) Endometriose intestinal, sendo necessária colonoscopia com biópsia e teste terapêutico com estrogênio.
  3. C) Infecção bacteriana recorrente, necessitando de coprocultura para certificar-se da resolução do quadro e evitar recidivas.
  4. D) Retocolite ulcerativa, devendo ser realizada retossigmoidoscopia para investigação diagnóstica.

Pérola Clínica

Diarreia crônica sanguinolenta + muco + artralgias + melhora transitória ATB → suspeitar Retocolite Ulcerativa.

Resumo-Chave

A apresentação de diarreia crônica com muco e sangue, dores abdominais e artralgias em uma jovem, com melhora transitória a antibióticos/antiparasitários (que não tratam a causa subjacente), é altamente sugestiva de Doença Inflamatória Intestinal, como a Retocolite Ulcerativa. A investigação diagnóstica padrão ouro inclui endoscopia com biópsias.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica que afeta o reto e se estende de forma contínua e proximal pelo cólon. A apresentação clínica em jovens, como a estudante universitária do caso, com diarreia crônica sanguinolenta, muco, dores abdominais e artralgias, é altamente sugestiva de DII. A melhora transitória com antibióticos e antiparasitários é um achado comum que pode atrasar o diagnóstico correto, pois esses medicamentos podem modular a flora intestinal ou tratar infecções secundárias, mas não abordam a inflamação autoimune subjacente. O diagnóstico da RCU requer uma combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos e histopatológicos. A retossigmoidoscopia, ou preferencialmente a colonoscopia completa, com biópsias da mucosa é o padrão ouro para a investigação. Este exame permite visualizar as alterações inflamatórias características, como eritema, edema, friabilidade, ulcerações e perda do padrão vascular, e obter amostras para análise histopatológica, que confirmará a inflamação crônica e descartará outras causas. As manifestações extraintestinais, como as artralgias mencionadas, são comuns em DII e reforçam a suspeita. O tratamento da RCU é complexo e visa induzir e manter a remissão da inflamação, utilizando medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. Um diagnóstico precoce e preciso é fundamental para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações a longo prazo, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Retocolite Ulcerativa?

Os sintomas clássicos incluem diarreia crônica com sangue e muco, dor abdominal tipo cólica, tenesmo e urgência para evacuar. Manifestações extraintestinais como artralgias, eritema nodoso e uveíte também podem ocorrer.

Por que a retossigmoidoscopia é essencial no diagnóstico da Retocolite Ulcerativa?

A retossigmoidoscopia permite a visualização direta da mucosa do reto e cólon sigmoide, identificando alterações inflamatórias como eritema, edema, friabilidade, ulcerações e pseudopólipos, além da coleta de biópsias para confirmação histopatológica.

Qual o papel dos antibióticos e antiparasitários em casos de Retocolite Ulcerativa?

Antibióticos e antiparasitários não tratam a Retocolite Ulcerativa, que é uma doença autoimune. A melhora transitória pode ocorrer devido à modulação da microbiota intestinal ou tratamento de infecções secundárias, mas não resolve a inflamação crônica subjacente.

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