Retocolite Ulcerativa em Pediatria: Diagnóstico e Achados

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Escolar de 9 anos apresenta história de diarreia há um ano, com fezes amolecidas com sangue e muco, acompanhada de tenesmo. Refere também dor abdominal difusa, irritabilidade e astenia. Nega lesões orais e em região perianal. Ao exame físico, a criança apresenta déficit pondero estatural, está hipocorada +++/4 e com abdômen levemente distendido, sem visceromegalias ou massas. O hemograma evidencia anemia hipocrômica microcítica; PCR pouco elevada e dosagem de proteína sérica diminuída. Pesquisas de parasitas e agentes infecciosos foram negativas. No caso dessa criança, espera-se que a colonoscopia evidencie:

Alternativas

  1. A) Lesões transmurais e granulomas no delgado.
  2. B) Inflamação contínua limitada à mucosa do reto e cólon.
  3. C) Predominância de dor abdominal no quadrante superior direito.
  4. D) Envolvimento do trato gastrointestinal desde a boca até o ânus.

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta + Tenesmo + Inflamação contínua da mucosa → Retocolite Ulcerativa.

Resumo-Chave

A Retocolite Ulcerativa (RCU) caracteriza-se por inflamação restrita à mucosa, de caráter contínuo e ascendente a partir do reto, manifestando-se clinicamente com colite franca.

Contexto Educacional

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) em pediatria exigem diagnóstico precoce para evitar prejuízos no crescimento e desenvolvimento. A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma forma de DII que atinge exclusivamente o cólon, com envolvimento retal em quase 100% dos casos. O quadro clínico de um escolar com diarreia crônica sanguinolenta, anemia e déficit ponderal é altamente sugestivo. O diagnóstico é confirmado pela colonoscopia com biópsias seriadas, que demonstram distorção arquitetural das criptas e infiltrado inflamatório restrito à mucosa e submucosa superficial. O tratamento visa a indução e manutenção da remissão, frequentemente iniciando com aminossalicilatos ou corticoides, progredindo para imunomoduladores ou terapia biológica conforme a gravidade e resposta clínica.

Perguntas Frequentes

Quais os principais achados da colonoscopia na Retocolite Ulcerativa?

Na Retocolite Ulcerativa (RCU), a colonoscopia tipicamente revela uma inflamação contínua e simétrica que se inicia no reto e se estende proximalmente pelo cólon. A mucosa apresenta-se eritematosa, granular, friável (sangra ao toque do aparelho) e com perda do padrão vascular normal. Em casos mais graves, observam-se ulcerações superficiais e pseudopólipos inflamatórios. Diferente da Doença de Crohn, não há áreas de mucosa sã entre as áreas inflamadas (lesões saltadas).

Como diferenciar clinicamente RCU de Doença de Crohn em crianças?

A RCU manifesta-se predominantemente com diarreia sanguinolenta, muco e tenesmo, refletindo a inflamação retal. A Doença de Crohn (DC) tem apresentação mais variável, podendo envolver qualquer parte do trato gastrointestinal, frequentemente com dor abdominal, perda de peso acentuada, atraso puberal e lesões perianais (fístulas/abscessos), que são raras na RCU. Na DC, a inflamação é transmural, podendo causar estenoses e fístulas, enquanto na RCU é limitada à mucosa.

Quais exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico de DII?

Além da colonoscopia com biópsia (padrão-ouro), exames laboratoriais mostram marcadores inflamatórios elevados (VHS e PCR). A calprotectina fecal é um marcador altamente sensível de inflamação intestinal, útil para triagem e monitoramento. Hemograma pode revelar anemia ferropriva por perda crônica e leucocitose. A hipoalbuminemia pode estar presente em casos de colite grave devido à perda proteica intestinal.

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