Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Em um paciente com diagnóstico prévio de retocolite ulcerativa moderada e confinada ao cólon descendente e reto, vinha sendo tratado com mesalazina oral. Na suspeita de atividade da doença, o melhor marcador laboratorial, não invasivo, é:
Calprotectina fecal > PCR/VHS para detectar atividade inflamatória luminal na Retocolite Ulcerativa.
A calprotectina fecal é uma proteína liberada por neutrófilos em resposta à inflamação da mucosa. É o marcador não invasivo mais sensível para monitorar a atividade da Retocolite Ulcerativa, superando marcadores sistêmicos.
A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta a mucosa do cólon e reto. O monitoramento da atividade da doença é crucial para evitar complicações e guiar o tratamento. Tradicionalmente, marcadores como VHS e PCR foram utilizados, mas sua baixa especificidade para o trato gastrointestinal limita sua utilidade em casos não sistêmicos. A calprotectina fecal emergiu como o padrão-ouro não invasivo. Ela é uma proteína ligadora de cálcio e zinco presente no citoplasma de neutrófilos. Quando há inflamação na mucosa, essas células migram para o intestino e liberam calprotectina, que é estável nas fezes por até uma semana. Sua correlação com achados endoscópicos e histológicos é superior a qualquer marcador sérico, tornando-a indispensável na prática clínica moderna para diferenciar DII de síndrome do intestino irritável e monitorar recidivas.
A calprotectina fecal é um marcador direto da inflamação da mucosa intestinal, pois reflete a migração de neutrófilos para o lúmen. Diferente da PCR, que é um marcador de fase aguda sistêmico e pode não se elevar em inflamações localizadas ou de baixa intensidade, a calprotectina possui alta sensibilidade e especificidade para detectar atividade inflamatória intestinal ativa, sendo fundamental no monitoramento de pacientes com Retocolite Ulcerativa.
Embora os valores possam variar conforme o laboratório, geralmente valores abaixo de 50-100 µg/g sugerem remissão clínica e endoscópica. Valores acima de 150-250 µg/g são altamente sugestivos de atividade inflamatória significativa, indicando a necessidade de reavaliação terapêutica ou realização de colonoscopia para confirmação diagnóstica e ajuste de conduta.
Não substitui completamente, mas atua como uma ferramenta de triagem e monitoramento 'treat-to-target'. Ela ajuda a reduzir a necessidade de procedimentos invasivos frequentes. Se a calprotectina estiver elevada, a colonoscopia é indicada para avaliar a extensão e gravidade da inflamação; se estiver baixa, a probabilidade de doença ativa é mínima, permitindo um manejo conservador.
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