Retocolite Ulcerativa: Diagnóstico e Achados Colonoscópicos

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 28 anos, previamente hígido, admitido na enfermaria devido a quadro de diarreia, hematoquezia, enterorragia, tenesmo, eliminação retal de muco e dor abdominal em cólica com três meses de evolução. Foi realizada colonoscopia que demonstrou mucosa edemaciada com múltiplas pequenas erosões cobertas de muco no reto e cólon sigmoide. Restante do cólon e íleo terminal sem alterações. Para o caso acima, o diagnóstico mais provável é?

Alternativas

  1. A) Retocolite ulcerativa.
  2. B) Tuberculose intestinal.
  3. C) Doença de Crohn.
  4. D) Colite isquêmica.

Pérola Clínica

RCU = Acometimento contínuo, ascendente, restrito à mucosa e iniciado obrigatoriamente no reto.

Resumo-Chave

A Retocolite Ulcerativa (RCU) caracteriza-se por inflamação superficial e contínua da mucosa colorretal, manifestando-se com diarreia sanguinolenta e tenesmo, sem poupar o reto.

Contexto Educacional

A Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal idiopática que afeta exclusivamente a mucosa do cólon e reto. O diagnóstico é clínico-endoscópico, sendo a colonoscopia com biópsia o padrão-ouro. É fundamental reconhecer o padrão de distribuição contínua para diferenciá-la da Doença de Crohn, o que impacta diretamente na escolha terapêutica e no rastreamento de neoplasias colorretais a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais os principais achados na colonoscopia da RCU?

Na Retocolite Ulcerativa (RCU), a colonoscopia revela um processo inflamatório contínuo e simétrico que se inicia obrigatoriamente no reto e progride proximalmente. Os achados típicos incluem eritema difuso, edema de mucosa, perda do padrão vascular submucoso habitual, granularidade e friabilidade ao toque do aparelho. Em casos mais graves, observam-se erosões, ulcerações superficiais e exsudato mucopurulento. Diferente da Doença de Crohn, não há áreas de mucosa sã entre as áreas inflamadas (lesões salteadas) e o acometimento é restrito à mucosa e submucosa, raramente atingindo camadas mais profundas, exceto em complicações como o megacólon tóxico.

Como diferenciar clinicamente RCU de Doença de Crohn?

A diferenciação baseia-se na localização e profundidade da inflamação. A RCU é restrita ao cólon, com início retal e progressão contínua, manifestando-se frequentemente com tenesmo e hematoquezia. Já a Doença de Crohn pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com padrão transmural e descontínuo (lesões salteadas). Clinicamente, Crohn costuma apresentar mais dor abdominal, massas palpáveis e fístulas perianais, enquanto a RCU é marcada por diarreia sanguinolenta crônica. Exames de imagem e biópsias são fundamentais para confirmar a profundidade do dano tecidual e a presença de granulomas não caseificantes.

Qual o papel do ASCA e p-ANCA no diagnóstico?

Os marcadores sorológicos auxiliam na diferenciação entre as DIIs, embora não substituam a colonoscopia. O p-ANCA (anticorpo anticitoplasma de neutrófilos com padrão perinuclear) está presente em cerca de 60-70% dos pacientes com Retocolite Ulcerativa. Por outro lado, o ASCA (anticorpo anti-Saccharomyces cerevisiae) é mais específico para a Doença de Crohn, ocorrendo em aproximadamente 60% dos casos. A combinação p-ANCA positivo e ASCA negativo sugere fortemente RCU, enquanto o inverso sugere Crohn. Contudo, sua sensibilidade é limitada, sendo utilizados como ferramentas complementares em casos de colite indeterminada.

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