Retite Actínica Aguda: Diagnóstico e Manejo Clínico

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 65 anos de idade, procura pronto atendimento por tenesmo e diarreia há três dias. Relata três episódios de enterorragia no primeiro dia dos sintomas. Tem antecedente de neoplasia de próstata, em tratamento com radioterapia iniciado há quatro semanas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, descorado 1+/4+, hemodinamicamente estável. O exame abdominal está normal. Os exames laboratoriais revelaram hemoglobina de 10,9 g/dL, sem outras alterações. Foi submetido a retossigmoidoscopia, com identificação de retite actínica aguda em reto médio, sem sinais de sangramento ativo. Considerando a principal hipótese diagnóstica para este paciente, o tratamento indicado neste momento é:

Alternativas

  1. A) Suporte clínico.
  2. B) Derivação do trânsito intestinal.
  3. C) Câmara hiperbárica.
  4. D) Coagulação com plasma de argônio.

Pérola Clínica

Retite actínica aguda (durante/logo após RT) → Conduta: Suporte clínico (geralmente autolimitada).

Resumo-Chave

A retite actínica aguda é uma resposta inflamatória imediata à radiação, geralmente autolimitada, diferenciando-se da forma crônica que exige intervenções como argônio.

Contexto Educacional

A retite actínica aguda é uma complicação frequente em pacientes submetidos à radioterapia pélvica para câncer de próstata, colo uterino ou bexiga. Fisiopatologicamente, a radiação ionizante causa morte celular direta nos colonócitos e inflamação da lâmina própria, resultando em edema e ulcerações superficiais da mucosa retal. O diagnóstico é clínico e endoscópico, revelando mucosa friável e eritematosa. É fundamental tranquilizar o paciente, pois a forma aguda raramente evolui com complicações graves e tende a se resolver em poucas semanas após a conclusão das sessões de radioterapia. O tratamento intervencionista, como a coagulação com plasma de argônio, é o padrão-ouro para a retite actínica crônica (onde há telangiectasias), mas não tem papel estabelecido na fase aguda inflamatória.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre retite actínica aguda e crônica?

A aguda ocorre durante ou até 3 meses após a radioterapia, caracterizando-se por dano direto à mucosa (inflamação). A crônica ocorre meses ou anos depois, devido à endarterite obliterante e fibrose, levando à formação de telangiectasias que sangram facilmente.

Quais os sintomas da retite actínica aguda?

Os sintomas incluem tenesmo, urgência evacuatória, diarreia, muco nas fezes e, ocasionalmente, enterorragia leve. O quadro costuma ser proporcional à dose de radiação e à área de reto exposta.

Como é feito o suporte clínico na retite actínica?

O suporte inclui orientações dietéticas (dieta pobre em resíduos se houver diarreia), hidratação, analgésicos e, em alguns casos, enemas de corticoides ou mesalazina para reduzir a inflamação local, embora a maioria dos casos regrida espontaneamente após o fim da radioterapia.

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